Mali abriga as terceiras maiores reservas comprovadas de ouro da África, estimadas em cerca de 800 toneladas, ficando atrás apenas da África do Sul e de Gana, segundo levantamento do Al Jazeera. O governo maliano afirma que o potencial geológico do país pode chegar a 2.000 toneladas, o que colocaria Mali entre os maiores depósitos áureos do continente.
Mais de dois milhões de pessoas dependem do setor mineiro para sua sobrevivência. As minas principais estão concentradas nas regiões sul e oeste, seguindo o cinturão vulcânico Birimiano.
Em 2024, Mali produziu aproximadamente 100 toneladas de ouro, incluindo a extração artesanal, tornando-se o segundo maior produtor africano após Gana. O volume supera o da África do Sul, evidenciando o peso crescente do país no mapa mineral do continente.
A produção informal revela um problema sério de contrabando e subnotificação, já que o volume oficial reportado é de cerca de 57 toneladas. O ouro corresponde a quase 80% do desempenho exportador do país, gerando exportações estimadas em US$ 4,3 bilhões em 2024, de acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos e o Fundo Monetário Internacional.
Entre os demais produtos de exportação destacam-se algodão cru, petróleo refinado, sementes oleaginosas e minério de ferro. O setor minerador, historicamente dominado por empresas canadenses e australianas, vê a participação chinesa crescer de forma consistente.
O código de mineração adotado em 2023 elevou a participação estatal nos empreendimentos para até 35%, além de endurecer a fiscalização fiscal. Companhias como a canadense Barrick Gold mantêm operações significativas no país, com grandes minas como Loulo-Gounkoto, Fekola, Syama e Sadiola Hill.
O lítio emerge como outro recurso estratégico, com o projeto Goulamina, no sul do país, registrando mais de 200 milhões de toneladas de minério com teor expressivo do mineral. Trata-se de um dos maiores depósitos do continente, com potencial para atrair investimentos de grande escala.
Minerais como urânio, fosfatos, ferro, manganês e diamantes ampliam o portfólio de riquezas do país. O norte, porém, permanece largamente subexplorado devido à instabilidade política e à insegurança crescente.
Para aproveitar plenamente seus recursos naturais, Mali precisa enfrentar desafios profundos: garantir segurança territorial, combater o contrabando e aperfeiçoar sua legislação mineradora. Assegurar participação estatal justa e melhorar a infraestrutura logística são condições igualmente indispensáveis.
Sem essas condições, o potencial mineral continuará sendo subaproveitado. O futuro econômico do país dependerá de uma equação complexa entre riqueza natural e estabilidade política e social.
Com informações de Al Jazeera.
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