Microplásticos coloridos podem agravar o aquecimento global

Vista aérea de um aterro sanitário com grande quantidade de lixo colorido. (Foto: phys.org)

Pesquisas recentes revelam que microplásticos coloridos presentes na atmosfera terrestre podem contribuir significativamente para o aquecimento global.

Um estudo publicado na revista Nature Climate Change mostra que essas partículas plásticas minúsculas retêm quase um quinto do calor que o carbono negro é capaz de capturar. O achado reacende o debate sobre a poluição plástica como fator climático subestimado.

Os microplásticos e nanoplásticos são originados da decomposição lenta de grandes produtos plásticos e fibras sintéticas. Eles variam em tamanho de bilionésimos de metro a alguns milímetros de diâmetro e estão presentes em todo o planeta, da água potável à neve da Antártida.

Estudos anteriores subestimaram o impacto climático dos microplásticos no ar porque não consideraram o efeito das diferentes cores das partículas na absorção de calor. Para preencher essa lacuna, cientistas da China e dos EUA mediram as propriedades ópticas de uma variedade de plásticos coloridos.

Essa análise revelou a quantidade exata de luz solar que diferentes cores e tamanhos de plástico absorvem ou refletem. Em seguida, utilizando mapas digitais de padrões de vento e clima, os pesquisadores estimaram a quantidade de partículas plásticas no ar e onde elas se concentram.

Esses dados foram inseridos em um modelo computacional chamado Modelo de Transferência Radiativa para calcular quanto calor adicional é retido na atmosfera. O estudo concluiu que microplásticos e nanoplásticos coloridos absorvem muito mais luz solar do que se estimava anteriormente.

Enquanto partículas brancas tendem a dispersar a luz, tons mais escuros — como azul, vermelho e preto — podem absorver até 74,8 vezes mais luz solar do que plásticos sem cor. Isso faz com que as partículas convertam essa energia em calor no ar ao seu redor.

Os resultados mostraram que o efeito médio global de aquecimento dessas partículas é de 0,039 watts por metro quadrado. Os autores destacam que os microplásticos e nanoplásticos coloridos intensificam o forçamento radiativo direto em 15,3 vezes em comparação com partículas não pigmentadas.

Em algumas regiões, como a circulação do Giro Subtropical do Pacífico Norte, o efeito de aquecimento foi quase cinco vezes maior do que o da fuligem local. Os cientistas alertam que essas partículas surgem como ameaças climáticas duplas, impulsionando simultaneamente o aquecimento radiativo e perturbando o balanço de carbono.

A pesquisa, conduzida pelo cientista Yu Liu e seus colaboradores, destaca a necessidade urgente de tratar a poluição por microplásticos como parte dos esforços globais para combater as mudanças climáticas. Para mais detalhes, consulte o site Phys.org.


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