Pesquisadores do Helmholtz Centre for Infection Research (HZI), na Alemanha, descobriram que certas cepas da bactéria Segatella copri possuem material genético extra que eleva sua tolerância ao oxigênio em até mil vezes. Essa característica está ligada ao regulador molecular OxyR, que proporciona uma vantagem adaptativa em condições específicas.
O estudo, publicado na revista Cell Host and Microbe, apontou que a Segatella copri com OxyR é mais frequente em nações industrializadas. Nesses contextos, distúrbios no microbioma intestinal provocados por antibióticos podem aumentar temporariamente os níveis de oxigênio no intestino, favorecendo a sobrevivência de cepas mais resistentes.
O professor Till Strowig, chefe do departamento de Regulação Imune Microbiana do HZI, explica que essas condições criam pressão seletiva sobre as bactérias. Cepas sem OxyR apresentaram capacidade de sobrevivência até 100.000 vezes menor em comparação com a Bacteroides thetaiotaomicron, bactéria modelo reconhecida por sua alta resistência.
Já as cepas com OxyR demonstraram tolerância de 100 a 1.000 vezes maior que suas contrapartes sem o regulador. Esse resultado evidencia o papel central desse mecanismo na adaptação da espécie a ambientes com maior concentração de oxigênio.
Outro regulador molecular, chamado PerR, também foi identificado como essencial para a colonização intestinal da Segatella copri. Sem esse mecanismo, a bactéria não consegue se estabelecer no intestino.
Uma análise genética revelou que o OxyR provavelmente foi incorporado por meio de transferência horizontal de genes, processo em que bactérias de espécies distintas trocam material genético. Essa adaptação parece ter sido fundamental para a disseminação da Segatella copri em regiões industrializadas, onde o uso recorrente de antibióticos e padrões de higiene mais rigorosos dificultam a transmissão entre humanos.
Os impactos na saúde humana das diferentes cepas, com ou sem OxyR, ainda serão investigados em pesquisas futuras. Os cientistas buscam entender como essas variações influenciam o equilíbrio do microbioma e a resposta do organismo a mudanças ambientais.
A pesquisa destaca a capacidade de adaptação do microbioma intestinal frente a pressões externas, como as impostas por hábitos modernos e intervenções médicas. Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis no portal Phys.org.
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