A gravidade de Marte exerce influência significativa sobre a órbita da Terra ao longo de milhões de anos, segundo estudo publicado na revista Nature Communications.
Essas interações, conhecidas como perturbações gravitacionais, ocorrem de forma sutil e constante. Elas se intensificam especialmente nos períodos de oposição entre os dois planetas, que acontecem a cada 26 meses.
As forças gravitacionais de Marte provocam pequenas alterações no formato da órbita terrestre e na inclinação de seu eixo. Com o tempo, essas mudanças afetam a quantidade de radiação solar que chega ao planeta, gerando variações climáticas em escalas geológicas.
O impacto alcança também os oceanos profundos, que têm papel essencial na regulação térmica global. A pesquisa mostra que essas interações planetárias influenciam diretamente as correntes abissais, alterando padrões de circulação nas profundezas marítimas.
O estudo foi conduzido por uma equipe liderada pela pesquisadora Adriana Dutkiewicz, da Universidade do Texas em Austin. A equipe analisou registros geológicos e dados de satélite, mapeando a distribuição de sedimentos no fundo dos oceanos ao longo de 65 milhões de anos.
Os pesquisadores identificaram ciclos de maior intensidade nas correntes profundas a cada 2,4 milhões de anos. Esses períodos, chamados de grandes ciclos astronômicos, estão ligados à ressonância gravitacional entre Marte e a Terra, que modifica a excentricidade da órbita terrestre.
Durante esses ciclos, a movimentação das correntes oceânicas se intensifica, formando redemoinhos que remexem sedimentos acumulados por eras. As lacunas nos registros geológicos de sedimentos são provas concretas das mudanças provocadas por essa interação entre os planetas.
Em momentos de maior excentricidade orbital, a Terra se aproxima ligeiramente do Sol, elevando as temperaturas globais e acelerando a circulação das águas profundas. Os cientistas esclarecem, porém, que essas alterações naturais não têm relação com o aquecimento global atual, impulsionado pelas atividades humanas em um intervalo de tempo muito mais curto.
O estudo destaca ainda a chamada esteira rolante do Atlântico, que distribui calor dos trópicos ao Hemisfério Norte. Movimentos menores, como os redemoinhos abissais, seguem sendo fundamentais para o transporte de calor e oxigênio nas profundezas, mesmo diante de preocupações com o possível enfraquecimento desse sistema.
O fundo do oceano, frequentemente visto como ambiente inerte, revela-se um espaço dinâmico moldado por processos que transcendem os limites do planeta. A interação gravitacional com Marte deixa marcas evidentes nos sedimentos marinhos, mostrando como os corpos celestes estão conectados no Sistema Solar.
Para mais informações sobre os achados, confira a publicação original na revista Nature Communications. O estudo abre novas perspectivas sobre os fatores externos que influenciam a dinâmica climática e oceânica da Terra.
Com informações de OLHARDIGITAL.
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