O derramamento de sangue e a instabilidade que engolem parte do globo se transformaram, mais uma vez, em uma máquina de fazer dinheiro para os Estados Unidos. Enquanto a guerra e os bloqueios comerciais, como o do Estreito de Ormuz, espalham pânico, inflação e sofrimento por toda a Ásia, África e partes da Europa, os bilionários do petróleo americano abrem garrafas de champanhe. As exportações de combustíveis dos EUA bateram um recorde histórico, ultrapassando a absurda marca de 8,2 milhões de barris por dia.
Esta “benção” macabra para as empresas de energia americanas, que projetam faturar um adicional estratosférico de US$ 60 bilhões em fluxo de caixa só este ano, é construída diretamente sobre as costas dos mais pobres. Quando a oferta global de petróleo sofre seu maior choque de ruptura da história recente e os estoques de diesel chegam aos níveis mais baixos em duas décadas, quem paga a conta não são os executivos de Wall Street. Quem paga a conta são as famílias trabalhadoras no Sul Global, que veem o preço do frete, dos alimentos e da energia disparar, enquanto os EUA assumem pela primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, a posição de exportador líquido de petróleo bruto.
A crueldade geopolítica é escancarada pelo fato de que o governo de Donald Trump ameaça com bombardeios e intensificação de sanções, enquanto joga com os mercados e manipula o preço do barril (que oscila histericamente entre US$ 97 e US$ 109). Para o governo dos EUA, a tragédia humanitária e a asfixia das economias alheias são apenas moedas de troca numa mesa de negociações onde a vida humana vale menos que um galão de gasolina.
A Nova Configuração Global e a Autossabotagem Brasileira
Diante do caos provocado pelo imperialismo norte-americano, o tabuleiro de xadrez da energia mundial se reorganiza. A Rússia, contornando sanções e o bloqueio ocidental, acelera vertiginosamente suas exportações para a China, consolidando uma aliança formidável no Leste e fornecendo energia a preços competitivos que blindam a Ásia da chantagem de Washington. Essa cooperação fortalece o bloco eurasiano frente à ditadura do dólar e do petróleo estadunidense.
Mas qual é a lição para nós? O Brasil poderia estar nadando em bilhões, garantindo não apenas segurança energética interna, mas lucrando enormemente com a exportação de derivados neste momento de crise global. No entanto, o entreguismo cobrou seu preço. Se Jair Bolsonaro não tivesse fatiado a Petrobrás, promovido a privatização criminosa das nossas refinarias, vendido a BR Distribuidora (a preço de banana), além dos nossos gasodutos e oleodutos, o Brasil não estaria à mercê da volatilidade internacional ou exportando óleo cru para comprar combustível refinado mais caro. O desmonte da nossa infraestrutura petrolífera sob a justificativa neoliberal entregou nosso patrimônio de mão beijada, impedindo o Brasil de colher os frutos que agora engordam os cofres do império e de seus acionistas.
É a lógica do capital predatório em sua forma mais pura: o caos global é o adubo para os dividendos corporativos americanos. Enquanto o mundo sangra, o imperialismo lucra.