Decisão de André Mendonça contra Ciro Nogueira aponta “arranjo funcional” com Banco Master e detalha suspeitas da PF

A decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou uma nova fase da Operação Compliance Zero detalha suspeitas de corrupção, favorecimento legislativo e vantagens econômicas envolvendo o senador Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O documento afirma haver “indícios concretos” de um “arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos” entre o parlamentar e o grupo ligado ao Banco Master.

A decisão foi assinada em 6 de maio de 2026.

Ela acolheu representação da Polícia Federal e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, autorizando medidas cautelares e novas diligências na investigação.

PF aponta atuação parlamentar pró-Banco Master

O principal eixo da investigação envolve a chamada “Emenda Master”.

Segundo a PF, Ciro Nogueira apresentou em 2024 uma proposta que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A medida beneficiaria diretamente o Banco Master.

Os investigadores afirmam que o texto da emenda:

  • teria sido elaborado pela assessoria do banco
  • enviado a Daniel Vorcaro
  • posteriormente entregue ao senador
  • e reproduzido quase integralmente no Senado

Segundo a decisão, mensagens apreendidas mostram Vorcaro afirmando que a proposta “saiu exatamente como mandei”.

A PF também registrou diálogos em que integrantes do banco comemoravam a possibilidade de a medida “sextuplicar” os negócios da instituição.

Minutas de projetos teriam circulado na casa do senador

Outro ponto considerado grave envolve a circulação de propostas legislativas ligadas ao grupo investigado.

A decisão afirma que envelopes com minutas de projetos de interesse do Banco Master foram levados à residência de Ciro Nogueira antes de seguirem ao gabinete parlamentar.

Os documentos tratavam de temas como:

  • Programa de Aceleração da Transição Energética (PATEN)
  • Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE)

Segundo a PF, houve orientação expressa para que o transporte dos documentos não fosse associado ao banco.

Supostas vantagens incluem “mesada”, viagens e imóveis

A decisão também detalha benefícios econômicos que teriam sido concedidos ao senador.

Entre os elementos citados estão:

  • pagamentos mensais recorrentes
  • uso gratuito de imóvel de alto padrão
  • viagens internacionais
  • hotéis de luxo
  • restaurantes
  • voos privados
  • cartão para despesas pessoais

Segundo a PF, os pagamentos mensais começaram em cerca de R$ 300 mil e depois teriam sido elevados para R$ 500 mil por mês.

As mensagens apreendidas também mencionam pagamento de despesas pessoais ligadas ao senador e à esposa.

Medidas determinadas por Mendonça

Na decisão, André Mendonça determinou:

  • busca e apreensão
  • bloqueio de bens e valores
  • proibição de contato entre investigados
  • prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema

Segundo a PF, o bloqueio total chegou a R$ 18,8 milhões.

Operação amplia crise política do caso Master

O caso Banco Master se transformou em uma das maiores crises político-financeiras recentes do país.

Estimativas citadas nas investigações apontam que os prejuízos associados ao escândalo podem alcançar bilhões de reais e envolver múltiplos agentes políticos e empresariais.

O avanço da investigação elevou a pressão sobre lideranças do Centrão e ampliou o alcance político da Operação Compliance Zero.

O ponto central da decisão de André Mendonça é claro.

A investigação deixou de focar apenas em supostas fraudes financeiras do Banco Master.

E passou a apontar possível influência direta do grupo econômico sobre produção legislativa e articulações políticas em Brasília.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.