Uma pesquisa recente mapeou as origens e as rotas do comércio ilegal de pangolins com precisão inédita.
Os cientistas Sean Heighton, da Universidade de Toulouse, e Philippe Gaubert, do Institut de Recherche pour le Développement, na França, utilizaram análise avançada de DNA para superar obstáculos anteriores de rastreamento. O método inovador de captura de genes funciona mesmo com material genético degradado.
Os pangolins figuram entre as espécies mais traficadas do planeta e correspondem a quase um terço de todas as apreensões de vida selvagem. Suas escamas e carne são altamente valorizadas na medicina tradicional e em mercados gastronômicos.
Mais de 700 amostras de pangolins Sunda, chineses e de barriga branca foram analisadas no estudo. Essas amostras vieram de coleções de museus, mercados de carne de caça e apreensões comerciais ao redor do mundo.
Os cientistas construíram um mapa genômico de referência abrangente a partir dos dados coletados. Essa ferramenta permitiu rastrear cada pangolim traficado até sua provável região de origem geográfica.
Os hotspots de coleta ilegal incluem o sudoeste de Camarões e áreas específicas em Mianmar. Diversas localidades na África também se destacaram como pontos críticos de exploração dos animais.
O trabalho revelou importantes rotas comerciais transfronteiriças na China e entre as ilhas da Indonésia. Essas conexões demonstram como o tráfico local alimenta diretamente o comércio internacional.
Os mercados domésticos e internacionais de pangolins se mostram profundamente interligados. Populações selvagens exploradas localmente acabam abastecendo a demanda global por esses mamíferos.
Philippe Gaubert destacou a importância de integrar materiais de museus com amostras recentes de campo. Segundo ele, essa abordagem aumentou significativamente a precisão do rastreamento genético.
Sean Heighton ressaltou o alto nível de detalhamento alcançado pela nova técnica. É possível, segundo o pesquisador, identificar a origem dos pangolins com precisão de poucos quilômetros.
Os autores defendem a criação de um banco de dados genéticos mais completo para aprimorar o combate ao tráfico. Eles também recomendam protocolos padronizados de amostragem e maior cooperação entre iniciativas globais.
O estudo foi publicado na revista PLOS Biology e abre caminho para a aplicação da metodologia em outras espécies traficadas. Os esforços globais de preservação da biodiversidade ganham um instrumento poderoso com essas descobertas científicas.
Com informações de PHYS.
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