A organização Médicos Sem Fronteiras acusou Israel de fabricar uma crise de desnutrição na Faixa de Gaza por meio de restrições severas à entrada de alimentos e ajuda humanitária.
O bloqueio imposto desde outubro de 2023 agravou drasticamente as condições de vida da população. A desnutrição infantil era praticamente inexistente antes do atual conflito.
Os primeiros casos foram detectados em janeiro de 2024, apenas três meses após o início da ofensiva que a MSF classifica como guerra genocida. Os ataques contra infraestruturas civis e a escassez de suprimentos essenciais elevaram os índices de desnutrição entre as mulheres grávidas.
Essa realidade provocou mais partos prematuros e elevou a mortalidade neonatal na Faixa de Gaza. A responsável médica da MSF para emergências, Merce Rocaspana, informou que mais de 50% das gestantes atendidas em dois hospitais apoiados pela organização apresentavam desnutrição.
Desses casos, 90% dos bebês nasceram prematuros e 84% com baixo peso, segundo parâmetros da Organização Mundial da Saúde. Esses índices elevam significativamente os riscos de morte e problemas de desenvolvimento para as crianças.
O bloqueio também restringiu o funcionamento dos centros de distribuição de alimentos administrados pela Fundação Humanitária de Gaza. Essa fundação é uma iniciativa apoiada por Israel e pelos Estados Unidos. A MSF criticou duramente a militarização desses centros e a ineficiência com que operam.
Muitos centros funcionam de forma irregular ou em condições perigosas para quem busca ajuda. A ONU estima que mais de 60% da população de Gaza esteja atualmente desabrigada.
Um relatório conjunto da ONU com o Banco Mundial e a União Europeia calcula que a reconstrução da região exigirá mais de 71 bilhões de dólares. Embora um cessar-fogo tenha sido declarado em janeiro de 2025, a situação continua crítica na Faixa de Gaza.
Israel limita severamente o número de caminhões com ajuda humanitária que entram diariamente no território. As autoridades permitem apenas 150 dos 600 caminhões prometidos por dia.
Tensões recentes aumentaram o risco de novos confrontos armados na região. Israel ameaçou retomar os ataques caso o Hamas não aceite a exigência de desarmamento completo.
A MSF reforça que a crise de desnutrição é um fenômeno fabricado pelas políticas de bloqueio, conforme reportado pelo Al Jazeera. A organização atribui a tragédia à destruição sistemática da infraestrutura essencial no enclave palestino.
A MSF exige acesso irrestrito a suprimentos alimentares e médicos para a população civil de Gaza. A entidade alerta que, sem intervenção imediata, os casos de mortalidade infantil e materna seguirão em ascensão.
Leia também: Israel proíbe atuação de Médicos Sem Fronteiras em Gaza e Cisjordânia
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