A Polícia Federal identificou mensagens que indicam discussões internas sobre pagamentos mensais destinados ao senador Ciro Nogueira no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
O trecho mais explosivo apareceu em conversas entre Daniel Vorcaro e Felipe Vorcaro.
Segundo documentos obtidos pela PF, um dos diálogos registra a pergunta:
“Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”
Para os investigadores, a frase indica a existência de repasses periódicos tratados internamente como uma espécie de “mesada”.
A investigação sustenta que os pagamentos estariam ligados a uma estrutura financeira envolvendo empresas associadas ao grupo Vorcaro e companhias apontadas pela PF como vinculadas ao entorno patrimonial do senador.
Os diálogos analisados mostram preocupação com atrasos nos repasses.
Segundo a PF, em junho de 2025 Daniel Vorcaro teria cobrado dois meses de atraso em pagamentos destinados a “ciro”, nome citado nominalmente nas mensagens apreendidas.
A Operação Compliance Zero investiga um esquema bilionário de venda de títulos de crédito supostamente falsos, além de suspeitas de:
- lavagem de dinheiro
- gestão fraudulenta
- manipulação de mercado
- corrupção
- organização criminosa
O caso ganhou dimensão política após a PF afirmar que Ciro Nogueira teria atuado em favor de interesses do Banco Master dentro do Congresso.
O principal episódio envolve a chamada “Emenda Master”.
Segundo a investigação, o senador apresentou em 2024 uma proposta que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, medida considerada altamente favorável ao Banco Master.
A decisão do ministro André Mendonça afirma que há “indícios concretos” de um “arranjo funcional” entre o parlamentar e Daniel Vorcaro.
O ministro autorizou:
- buscas e apreensões
- bloqueio de bens
- prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro
- proibição de contato entre investigados
Segundo a PF, empresas investigadas seriam usadas para ocultação patrimonial e circulação de recursos financeiros ligados ao esquema.
A defesa de Ciro Nogueira reagiu.
Os advogados do senador afirmaram que ele vai colaborar com as investigações e negaram participação em irregularidades. A defesa também criticou medidas baseadas “em mera troca de mensagens”.
O ponto central da investigação mudou.
O caso Banco Master deixou de envolver apenas suspeitas financeiras.
E passou a atingir diretamente relações entre poder econômico, articulação política e atuação parlamentar em Brasília.