Pesquisadores franceses investigam o naufrágio mais profundo já identificado em águas territoriais do país, datado do século 16. Localizado no Mar Mediterrâneo, a mais de 2.400 metros de profundidade, o navio foi batizado como Camarat 4.
A embarcação transportava cerâmicas valiosas e armamentos, oferecendo uma visão rara sobre o comércio marítimo da época. Encontrado próximo à costa de Ramatuelle, no sudeste da França, o naufrágio apresenta estado de preservação surpreendente, protegido pela profundidade extrema contra saques e degradação.
A missão é liderada pela arqueóloga Marine Sadania, que coordena o uso de um robô submarino de tecnologia avançada. O equipamento capturou cerca de 67 mil imagens, permitindo a criação de um modelo tridimensional detalhado do local.
Entre os artefatos identificados estão seis canhões, duas caldeiras, uma âncora e centenas de peças de cerâmica. Muitas dessas peças são decoradas com padrões complexos e exibem as letras IHS, iniciais de Jesus Cristo em grego, revelando aspectos culturais e religiosos da época.
Os pesquisadores recuperaram três jarros e um prato durante a operação. Destaca-se um jarro arredondado com linhas azuis escuras e desenhos geométricos amarelos, considerado um dos objetos mais profundos já resgatados de um naufrágio em território francês.
O Departamento de Pesquisa Arqueológica Subaquática e Submarina (DRASSM) aponta que o local oferece uma oportunidade única para compreender as práticas comerciais do século 16. Acredita-se que as cerâmicas tenham origem na região de Ligúria, no noroeste da Itália, enquanto os canhões indicam a necessidade de proteção da carga em rotas possivelmente direcionadas ao oeste.
A expedição também expôs um problema contemporâneo: a presença de latas de cerveja, garrafas plásticas e redes de pesca no local. Arnaud Schaumasse, responsável pelo DRASSM, destacou que esses detritos são um alerta sobre a poluição que alcança até os pontos mais remotos e históricos dos oceanos.
O Camarat 4 supera em profundidade o submarino La Minerve, encontrado em 2019 a cerca de 2.370 metros no Mediterrâneo. O achado promete enriquecer o entendimento de um período pouco documentado da história marítima europeia.
Mais informações sobre as descobertas estão disponíveis no portal Smithsonian.
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