O rover Curiosity da NASA arrancou uma rocha inteira em vez de reduzi-la a pó durante uma perfuração em Marte — evento inédito em toda a trajetória da missão, iniciada em 2012.
A rocha, batizada de Atacama e pesando cerca de 13 libras, permaneceu presa à broca do equipamento após a operação. A ferramenta combina movimentos rotativos e percussivos para gerar amostras em pó destinadas a análise científica.
A NASA declarou nunca ter presenciado algo semelhante desde o início da missão. O Curiosity já havia quebrado camadas superficiais de rochas anteriormente, mas jamais extraíra um fragmento de tamanho e integridade comparáveis.
O robô acumula um histórico de desafios técnicos com sua broca ao longo dos anos. Em 2015, ocorreram curtos-circuitos no mecanismo de percussão, seguidos por obstrução no freio ainda naquele ano.
A perfuração foi paralisada em 2016 e só voltou a funcionar em 2018, após extenso trabalho de reengenharia. Apesar dos percalços, o veículo identificou moléculas orgânicas em folhelhos marcianos que, na Terra, podem resultar de processos biológicos ou puramente geológicos.
Após o incidente com a rocha Atacama, a equipe empregou vibrações para tentar desprendê-la, sem sucesso. Novas estratégias de inclinação e rotação foram então testadas em 29 de abril.
As manobras subsequentes resultaram apenas na liberação de areia acumulada na ferramenta. A rocha se soltou em 1º de maio, caindo no solo marciano e se quebrando com o impacto.
O incidente não compromete a operação do Curiosity, que já supera em muito os dois anos inicialmente planejados. O rover segue enviando dados sobre a composição geológica de Marte, a história da água no planeta e as condições de possível habitabilidade no passado.
Informações detalhadas sobre o evento e o histórico da missão estão disponíveis na cobertura do Olhar Digital.
Leia também: Curiosity detecta moléculas essenciais à vida antiga em Marte
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