Um estudo liderado pela pesquisadora Maggie Reddy, do Ryan Institute da Universidade de Galway, mapeou a diversidade microbiana em recifes de corais e identificou 645 espécies microbianas cujos genomas nunca haviam sido descritos. Os resultados foram publicados na revista Nature.
O trabalho foi conduzido no âmbito do consórcio Tara Pacific e envolveu amostras coletadas em 99 recifes ao longo de 32 ilhas no Pacífico. Cada espécie de coral analisada sustenta uma comunidade microbiana exclusiva, rica em compostos químicos promissores.
De mais de 4 mil espécies microbianas identificadas no estudo, apenas 10 por cento possuíam informações genéticas disponíveis anteriormente. Mais de 99 por cento das 645 espécies reconstruídas nunca haviam sido descritas em termos genéticos antes desta pesquisa.
Menos de 1 por cento das espécies exclusivas das amostras do Tara Pacific tinham sido estudadas com profundidade até o momento. Essa realidade demonstra a vastidão do desconhecido no que diz respeito aos microbiomas marinhos.
O professor Olivier Thomas, também do Ryan Institute, ressaltou o valor biotecnológico desses microrganismos. Os microbiomas dos corais exibem diversidade de genes biossintéticos que rivaliza ou supera aquela observada em esponjas marinhas.
Bactérias do grupo Acidobacteriota se destacam pela produção de enzimas com propriedades inéditas. Esses achados abrem perspectivas para novas aplicações na indústria biotecnológica e na pesquisa farmacêutica.
Os recifes de corais funcionam como repositórios de produtos naturais com potencial medicinal. A perda desses ecossistemas compromete não apenas a biodiversidade visível, mas também esse reservatório de inovação científica.
Os dados foram obtidos durante a expedição Tara Pacific, realizada entre 2016 e 2018, que mapeou microbiomas em uma área com cerca de 40 por cento dos recifes de corais do planeta. A conservação desses ambientes assume importância estratégica para o avanço do conhecimento científico mundial.
Os pesquisadores enfatizam que a proteção dos recifes representa um investimento tanto ambiental quanto econômico para as gerações futuras.
Com informações de SCIENCEDAILY.
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