Missões espaciais de curta duração não causam alterações significativas nas articulações dos astronautas, segundo pesquisa do National Jewish Health, nos Estados Unidos.
A investigação analisou a integridade das articulações de quadris, joelhos e tornozelos com técnicas avançadas de ultrassonografia musculoesquelética. Os resultados foram publicados no International Journal of Clinical Rheumatology.
O estudo não identificou mudanças estatisticamente relevantes na espessura da cartilagem ou nos níveis de fluido sinovial. A integridade de tendões e ligamentos permaneceu intacta, sem sinais de inflamação após a permanência em ambiente de microgravidade.
O reumatologista e autor principal Richard Meehan considerou as descobertas encorajadoras para a exploração espacial. Ele destacou que exercícios físicos regulares e medicamentos anti-inflamatórios podem preservar a saúde articular durante esses voos.
Os astronautas participantes realizaram exercícios de ciclismo e utilizaram medicamentos específicos ao longo da missão. A pesquisa evidenciou o valor do ultrassom como ferramenta eficaz para monitoramento da saúde musculoesquelética tanto no espaço quanto na Terra.
A coautora Smarika Sapkota observou que a curta duração da missão e o pequeno número de participantes limitam generalizações para viagens mais longas à Lua ou a Marte. Ela reforçou a necessidade de investigações adicionais sobre os impactos de voos espaciais prolongados no organismo humano.
Os exames de ultrassom foram realizados logo após o retorno dos astronautas à Terra para capturar dados nas primeiras horas pós-missão. Essa metodologia permite a personalização de protocolos de exercícios e a redução de riscos de lesões em expedições futuras.
O diretor de Transferência de Tecnologia do National Jewish Health, Emmanuel Hilaire, apontou que o ambiente espacial possibilita o desenvolvimento de tecnologias biomédicas benéficas também para a população terrestre. Hilaire citou especialmente pacientes em recuperação de imobilidade prolongada ou com predisposição à degeneração articular.
Apesar das limitações identificadas, a pesquisa reforça a relevância de estudos contínuos na medicina aeroespacial. Ferramentas como o ultrassom podem se tornar essenciais para proteger a saúde dos astronautas e ampliar o conhecimento sobre o corpo humano em condições extremas.
Com informações de PHYS.
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