A separação tectônica na África Oriental ocorre em ritmo mais acelerado do que estimado anteriormente, segundo novo estudo publicado na Nature Communications.
A reportagem do Smithsonian Magazine detalha os achados. Os pesquisadores observaram que o sistema de Rift do Leste Africano apresenta avanços significativos na divisão das placas tectônicas.
Essa estrutura geológica se estende por cerca de 6.400 quilômetros, da Jordânia até Moçambique. As placas se afastam a aproximadamente 0,5 centímetro por ano nessa zona.
Os especialistas concentraram a investigação no Rift de Turkana, com largura de cerca de 480 quilômetros. A crosta terrestre apresenta apenas 13 quilômetros de espessura no centro, contra mais de 35 quilômetros nas áreas adjacentes.
Essa redução drástica indica o processo denominado necking, que antecede a formação de novo leito oceânico. O geólogo da Universidade de Columbia Folarin Kolawole, coautor do estudo, destacou a oportunidade única de observação direta do fenômeno.
Kolawole explicou que o estágio atual do rifting permite compreender melhor como se formam as margens continentais ao redor do globo. O pesquisador conectou ainda os achados geológicos à preservação de fósseis importantes na região.
O esqueleto do Homo erectus conhecido como Turkana Boy foi preservado graças às condições locais ao longo de milhões de anos. Estudos anteriores identificaram mais de 1.200 fósseis de hominídeos na área.
Esses vestígios fornecem um registro contínuo de mudanças ambientais e climáticas durante quatro milhões de anos. A intensa atividade vulcânica gerou sedimentos finos que auxiliaram na fossilização.
Os cientistas projetam que as águas do Oceano Índico preencherão o rift em alguns milhões de anos. Essa inundação criaria um novo oceano e dividiria o continente africano em duas massas de terra distintas.
A pesquisa integra dados de geologia com registros paleontológicos. Os resultados reforçam a relevância de monitorar zonas de atividade tectônica no planeta.
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