Estudo revela que desigualdade socioeconômica agrava mortalidade por frio na Europa

Um termômetro marca alta temperatura em meio à areia, ilustrando o tema de calor extremo. (Foto: phys.org)

Um estudo conduzido pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona revelou que as desigualdades socioeconômicas exercem influência decisiva sobre a vulnerabilidade das populações europeias a temperaturas extremas. A pesquisa, publicada na revista Nature Health, analisou dados de mortalidade de 32 países e abrangeu mais de 161 milhões de óbitos registrados entre 2000 e 2019.

Regiões com maiores níveis de desigualdade social enfrentam risco elevado de mortes relacionadas ao frio. Áreas mais urbanizadas e economicamente prósperas registram maior suscetibilidade aos impactos das ondas de calor.

Mais de 180 mil mortes associadas ao calor foram contabilizadas na Europa entre 2022 e 2024. Esses números evidenciam o peso crescente das alterações climáticas como fator de risco à saúde pública no continente.

A principal autora do estudo, Blanca Paniello-Castillo, explicou que pobreza energética, condições precárias de habitação e acesso limitado a serviços de saúde aumentam a vulnerabilidade de grupos desfavorecidos. O índice de Gini associado à incapacidade de manter residências aquecidas se correlaciona com taxas mais altas de mortalidade atribuível a temperaturas extremas.

A análise considerou cenários hipotéticos para dimensionar o efeito das condições socioeconômicas sobre as mortes. Em um quadro de extrema vulnerabilidade, as projeções apontam para mais de 300 mil mortes por incapacidade de aquecimento residencial, 177 mil por desigualdade econômica e 157 mil por privação material e social.

Regiões com elevado Produto Interno Bruto per capita e maior expectativa de vida apresentam menor mortalidade associada ao frio. Essas mesmas localidades, contudo, enfrentam risco ampliado durante ondas de calor, em razão das ilhas de calor urbanas provocadas pela concentração de concreto e escassez de vegetação.

O coordenador do estudo e líder do projeto EARLY-ADAPT, Joan Ballester, enfatizou a necessidade de incorporar fatores socioeconômicos nas políticas de adaptação às mudanças climáticas. Ele defendeu a realização de pesquisas equivalentes em outras regiões do planeta, onde a exposição a riscos climáticos é alta mas os dados disponíveis permanecem limitados.

As conclusões do trabalho destacam a importância de políticas públicas que combatam desigualdades sociais e fortaleçam a resiliência das infraestruturas urbanas. As mudanças climáticas devem intensificar tanto as ondas de calor quanto os períodos de frio extremo, segundo aponta o portal Phys.org.


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