Os oceanos do planeta se aproximam rapidamente de temperaturas recordes nunca antes observadas.
O serviço Copernicus de monitoramento climático da União Europeia acompanha o aquecimento que ocorre paralelamente à formação de um El Niño que pode ser um dos mais fortes dos últimos anos.
A líder estratégica para o clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, Samantha Burgess, indicou que os valores atuais já estão próximos dos recordes históricos de 2024. Burgess destacou que bastam poucos dias para que os oceanos alcancem novos patamares de aquecimento.
As medições do Copernicus revelaram que as temperaturas diárias dos oceanos em abril subiram de forma gradual. O mês registrou o segundo maior índice histórico para o período, com ondas de calor marinhas no Pacífico tropical e na costa oeste dos Estados Unidos.
A Organização Meteorológica Mundial alertou que as condições para o desenvolvimento do El Niño podem se estabelecer entre maio e julho. O fenômeno natural modifica os padrões globais de precipitação e temperatura em diversas regiões do planeta.
Especialistas destacam que o próximo El Niño se desenvolve sobre um oceano já aquecido pela queima contínua de combustíveis fósseis. Os oceanos absorvem cerca de noventa por cento do calor excedente gerado pelas atividades humanas ao redor do mundo.
O evento anterior de El Niño, entre 2023 e 2024, contribuiu para que esses dois anos fossem os mais quentes da história registrada. A expectativa é que o fenômeno atual possa superar em intensidade o super El Niño de quase três décadas atrás.
O cientista da Berkeley Earth, Zeke Hausfather, afirmou que um evento intenso elevaria significativamente as probabilidades de 2027 se tornar o ano mais quente já medido. Burgess concorda com a avaliação, embora considere prematuro definir a força exata do fenômeno que se forma.
A especialista explicou ainda que os efeitos do El Niño sobre as temperaturas globais costumam se manifestar com mais clareza no ano seguinte ao pico do evento. O boletim mensal do Copernicus trouxe outros indicadores preocupantes sobre o estado do clima global.
Abril foi o terceiro mês mais quente já registrado no planeta, com temperatura média 1,43 grau Celsius acima da média pré-industrial. O gelo marinho no Ártico se manteve em níveis próximos das mínimas históricas durante o período.
A Europa se prepara para um verão caracterizado por condições mais quentes e secas do que o normal. Especialistas preveem aumento no risco de secas prolongadas e de incêndios florestais em várias regiões do continente.
Burgess concluiu que eventos extremos se tornam mais frequentes em todo o planeta. As mudanças climáticas provocadas pelo homem intensificam esses fenômenos, segundo a especialista.
O acompanhamento contínuo desses indicadores revela a urgência de ações coordenadas em escala global. As informações completas sobre o monitoramento aparecem no portal Olhar Digital, que repercutiu o relatório do Copernicus.
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