Brasil busca protagonismo na fusão nuclear com tokamak da USP

Uma mão aberta segura uma representação de um sol artificial em um fundo escuro. (Foto: olhardigital.com.br)

O físico Gustavo Canal, professor da Universidade de São Paulo, detalhou os mecanismos da fusão nuclear: a união de núcleos leves como os de hidrogênio forma núcleos mais pesados e libera energia até quatro vezes maior do que na fissão.

Cientistas devem gerar temperaturas acima de 100 milhões de graus Celsius para reproduzir as condições estelares. O material se converte em plasma que exige contenção por meio de intensos campos magnéticos.

Essa contenção evita o derretimento das estruturas do reator por contato direto. O deutério extraído da água do mar e o trítio compõem o combustível abundante para a reação.

Especialistas identificam o controle do plasma como principal barreira tecnológica atual. Instabilidades no plasma geram riscos de danos aos equipamentos durante os testes.

Outro objetivo fundamental envolve alcançar ganho energético líquido de forma consistente. O National Ignition Facility, nos Estados Unidos, registrou fusão que produziu mais energia do que a entregue ao alvo pelos lasers — embora o cálculo tenha excluído a energia total consumida pelos sistemas auxiliares.

A meta de viabilidade comercial ainda demanda avanços substanciais em diversas frentes. Mais de 50 países colaboram em projetos de fusão nuclear ao redor do mundo.

O ITER, na França, busca comprovar a viabilidade técnica em escala industrial, conforme o portal oficial do projeto. Iniciativas privadas ganham relevância com empresas como a Commonwealth Fusion Systems, do MIT, e a Helion Energy.

A China estabeleceu novos recordes de confinamento de plasma em seu dispositivo EAST. A pesquisa nacional permanece concentrada em instituições públicas e universidades.

O TCABR, instalado na Universidade de São Paulo, representa o único tokamak em operação no Hemisfério Sul. O Programa de Fusão Nuclear do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação capacita especialistas e projeta novas instalações.

A fusão nuclear não produz emissões de gases de efeito estufa na geração de eletricidade. O método igualmente minimiza a geração de resíduos radioativos com vida longa.

Ao contrário da fissão, a fusão elimina o risco de acidentes por reação em cadeia descontrolada. Essa propriedade confere ao processo um perfil de segurança elevado.

Especialistas estimam que usinas comerciais iniciais possam surgir entre 2040 e 2050. Companhias do setor privado tentam comprimir esse cronograma para os anos 2030.

Os experimentos geram conhecimento aplicável em supercondutores de alta performance e materiais avançados. Essas tecnologias derivadas beneficiam outros setores industriais.

O investimento consistente pode posicionar o país como fornecedor de tecnologia em uma área estratégica futura. A participação em redes internacionais de pesquisa fortalece a capacitação científica nacional.

Com informações de OLHARDIGITAL.


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