Cientistas da Universidade de Utrecht, na Holanda, propuseram a construção de uma barragem no estreito de Bering, entre o Alasca e o extremo nordeste da Rússia, para evitar o colapso da Circulação Meridional do Atlântico, conhecida como AMOC.
A AMOC inclui a famosa corrente do Golfo e mantém o clima da Europa do Norte mais ameno apesar de sua alta latitude. Estudos indicam que essa corrente vital está enfraquecendo e seu colapso poderia provocar quedas drásticas de temperatura na região.
Inspirados por condições do período Plioceno, quando o estreito era um istmo terrestre, os pesquisadores Jelle Soons e Henk Dijkstra analisaram a possibilidade de recriar essa barreira. Simulações em modelos de baixa resolução geraram resultados mistos, mas avanços recentes foram mais promissores.
Os dados foram apresentados na Assembleia Geral da EGU (União Europeia de Geociências), em Viena. As simulações sugerem que uma barragem construída até 2050 poderia reforçar significativamente a AMOC.
Jelle Soons afirmou ter ficado surpreso com a força da recuperação observada nos cenários mais detalhados. A barragem bloquearia o fluxo de água doce do Pacífico para o Atlântico, que atualmente contribui para o enfraquecimento da corrente.
Com profundidade máxima de apenas 59 metros e duas pequenas ilhas no centro, o local oferece condições relativamente favoráveis para a obra. Especialistas recomendam o uso de rochas e areia dragada do próprio local, em vez de concreto, para tornar o projeto mais econômico e prático.
Apesar do otimismo técnico, a proposta levanta sérias dúvidas sobre seus impactos ambientais e sociais. Alterações nos padrões de chuva, migração de mamíferos marinhos, variações nas marés e mudanças em rotas de navegação figuram entre as principais preocupações.
O especialista Jonathan Rosser, da London School of Economics, alerta que as incertezas sobre o pleno funcionamento da AMOC tornam a intervenção de grande escala arriscada. O próprio Jelle Soons reconhece os desafios e enfatiza que a ideia ainda não configura uma proposta concreta de engenharia.
Essa não é a primeira vez que cientistas exploram megaprojetos para enfrentar as mudanças climáticas. Uma barragem entre o Reino Unido e a Europa já foi sugerida como forma de conter a elevação do nível do mar, mas a escala e os custos astronômicos permanecem como obstáculos consideráveis.
A discussão reflete a crescente urgência por soluções inovadoras diante dos desafios climáticos globais. A comunidade científica segue avaliando alternativas para proteger os sistemas naturais essenciais ao equilíbrio do planeta.
Com informações de NEWSCIENTIST.
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