Pesquisas recentes revelam o enfraquecimento acelerado do sistema de correntes do Oceano Atlântico conhecido como Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, ou AMOC. O pesquisador Valentin Portmann, do Inria Research Center de Bordeaux, afirma que o sistema se aproxima de um ponto crítico de colapso, conforme estudo publicado na revista Science Advances.
Esta circulação transporta águas quentes e salgadas para o Atlântico Norte, onde liberam calor para a atmosfera. As águas então afundam e retornam ao sul em correntes profundas, completando o ciclo que regula o clima global.
O derretimento da camada de gelo da Groenlândia adiciona grandes volumes de água doce ao oceano. Essa entrada reduz a densidade necessária para o afundamento das águas salgadas e ameaça interromper o fluxo do AMOC.
O portal CleanTechnica detalha os achados do estudo. Portmann explica que os modelos climáticos tradicionais subestimaram a velocidade desse enfraquecimento.
Os impactos de um possível colapso incluem quedas acentuadas de temperatura no norte da Europa. Projeções indicam que invernos em Londres poderiam chegar a -20 graus Celsius, enquanto na Noruega as temperaturas poderiam atingir -48 graus Celsius.
Alterações nos padrões climáticos globais intensificariam secas na região do Sahel, na África. As monções na Ásia e na África sofreriam enfraquecimento, com redução nas temporadas agrícolas e ameaça à segurança alimentar de milhões de pessoas.
O nível do mar subiria em algumas regiões, enquanto tempestades tropicais se tornariam mais intensas no Atlântico Norte. Incêndios florestais aumentariam de frequência e gravidade como resultado das mudanças nos padrões climáticos.
O AMOC desempenha papel fundamental no armazenamento de carbono nos oceanos profundos. Sua desaceleração poderia liberar quantidades significativas de carbono armazenado e agravar o aquecimento global.
O Acordo de Paris estabeleceu metas para limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais. A inércia política atual e o ritmo das emissões colocam em risco o cumprimento dessas metas, segundo a comunidade científica.
Uma vez colapsado, o AMOC não retornaria ao estado atual por vários séculos. Especialistas defendem a aceleração da transição para energias renováveis e a redução urgente das emissões de gases de efeito estufa para mitigar esses riscos.
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