O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quarta-feira (24) que não se arrepende das críticas que fez ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao SBT News, Zema disse ser ‘sempre uma pessoa coerente’ e que não poderia aplaudir ‘alguém que se envolveu com aquele banqueiro bandido’ — referindo-se a Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master e alvo de investigações que já alcançaram o Supremo Tribunal Federal.
A fala vai além do ruído pré-eleitoral e expõe a promiscuidade financeira que o clã Bolsonaro sempre jurou combater. Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, construiu imagem de defensor da moralidade, mas agora vê seu nome colado ao de um ex-banqueiro cujas operações levantam suspeitas de irregularidades que envergonhariam qualquer político. A ironia é que a ‘nova política’ bolsonarista se alimenta exatamente da mesma podridão que fingia denunciar.
A investida de Zema ganha peso porque ele não é um adversário de esquerda, mas um liberal que disputa o mesmo campo da direita. Ao chamar Vorcaro de bandido, o ex-governador tira de Flávio o conforto da retórica antipetista e coloca o senador contra a parede, mostrando que a relação com o banqueiro é um passivo moral insustentável até para aliados ideológicos.
Questionado sobre o impacto no eleitorado de direita, Zema respondeu que sua estratégia não é capturar apenas esses votos, mas percorrer o país para se tornar mais conhecido. A declaração reforça que o pré-candidato do Novo não depende do espólio bolsonarista e está disposto a romper com o pacto de silêncio que protege os negócios da família.
O episódio desmoraliza de vez a farsa da ‘nova política’, que sempre se apresentou como antídoto contra a corrupção, mas nunca hesitou em se associar a um banqueiro investigado quando o dinheiro favorecia os interesses pecuniários do clã.


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