Inteligência artificial corta de meses para dias a análise de vida selvagem

Um lince-do-canadá é identificado por inteligência artificial em uma imagem de câmera remota. (Foto: phys.org)

A inteligência artificial revoluciona o monitoramento da vida selvagem ao reduzir o tempo de análise de dados de vários meses para apenas alguns dias.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Washington e do Google demonstra que sistemas automatizados podem substituir eficientemente o trabalho humano sem comprometer a qualidade das conclusões ecológicas. Os testes foram realizados no Parque Nacional Glacier, em Montana, e na Reserva da Biosfera Maia, na Guatemala, com resultados publicados no BESJOURNALS.

Os pesquisadores empregaram o modelo SpeciesNet, desenvolvido pelo Google, e compararam seus resultados com análises feitas por especialistas humanos. As conclusões ecológicas se mostraram equivalentes em aproximadamente 85 a 90 por cento dos casos.

Isso vale mesmo quando a inteligência artificial comete erros na identificação de espécies ou na detecção de presença animal nas imagens capturadas. O ecologista Daniel Thornton, principal autor do estudo, ressaltou que o propósito não consiste em substituir os especialistas humanos.

Thornton indicou que a tecnologia serve para facilitar o trabalho e permitir que ações de manejo e preservação sejam implementadas de forma mais ágil e eficaz. Tradicionalmente, o processo de análise de imagens obtidas por armadilhas fotográficas revela-se lento e extremamente exaustivo para as equipes.

Um projeto típico pode gerar milhões de imagens, sendo que cerca de 60 a 70 por cento delas são descartadas por não registrarem nenhum animal. Embora ferramentas preliminares de inteligência artificial já filtrassem as imagens vazias, a identificação precisa das espécies ainda demandava extensa revisão manual.

Com o SpeciesNet, essa etapa foi completamente automatizada, reduzindo drasticamente o tempo de processamento para poucos dias. O cientista sênior do Google e coautor do estudo Dan Morris explicou que a pesquisa priorizou a avaliação de ferramentas já disponíveis em vez de desenvolver novos algoritmos.

A iniciativa também beneficiou a comunidade científica ao disponibilizar parte do banco de dados utilizado no treinamento dos modelos. Apesar dos notáveis progressos, a tecnologia ainda enfrenta desafios com espécies raras ou de características visuais complexas.

Nesses cenários específicos, a intervenção humana permanece necessária para validar os resultados gerados pela inteligência artificial. Thornton enfatizou que a velocidade proporcionada pela IA pode transformar radicalmente as práticas de conservação ambiental em todo o mundo, abrindo perspectivas promissoras para a preservação da fauna silvestre.

Com informações de PHYS.


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