Telescópios espaciais e IA disparam demanda por GPUs e podem encarecer celulares

Telescópio em observatório astronômico em meio a montanhas, ao pôr do sol. (Foto: olhardigital.com.br)

A crescente demanda por GPUs ganha impulso dos avanços na astronomia e do uso de inteligência artificial para processar dados do espaço.

Telescópios de última geração geram volumes enormes de informações que exigem tecnologias cada vez mais potentes. O astrofísico Brant Robertson, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, afirma que a astronomia viveu transformação significativa nas últimas décadas.

O uso intensivo de GPUs permite análises em larga escala e a identificação eficiente de galáxias e fenômenos cósmicos. Robertson colaborou com a Nvidia no desenvolvimento do modelo Morpheus de deep learning.

Ele destaca que a ciência espacial depende cada vez mais de infraestrutura computacional robusta para lidar com o fluxo de dados. O telescópio espacial Nancy Grace Roman, com lançamento previsto para 2027, deve entregar cerca de 20 mil terabytes de dados ao longo de sua missão.

O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, produzirá 20 terabytes de informações por noite quando iniciar suas operações. Esses números contrastam fortemente com o telescópio Hubble, que transmitia apenas entre 1 e 2 gigabytes por dia.

A disparidade evidencia o enorme crescimento na capacidade de coleta de dados astronômicos. Essa expansão cria forte competição por GPUs tanto na pesquisa científica quanto na inteligência artificial generativa.

A pressão sobre o mercado de semicondutores pode resultar em preços mais altos para eletrônicos de consumo, como celulares e computadores. Robertson adverte que empresas de tecnologia também enfrentam dificuldades para acessar esses componentes.

O problema tende a se agravar com o aumento da demanda global por processadores avançados. O modelo Morpheus está sendo atualizado para utilizar transformers e acelerar o processamento de dados astronômicos.

A inteligência artificial generativa surge ainda como ferramenta para corrigir distorções atmosféricas em telescópios terrestres. Colocar espelhos maiores em órbita permanece um grande desafio mesmo com os progressos em foguetes.

O desenvolvimento de software avançado representa, portanto, uma solução estratégica e mais acessível para os astrônomos. A infraestrutura computacional disponível para pesquisadores já se aproxima do limite de sua capacidade.

O cluster de GPUs construído na Universidade da Califórnia com apoio da National Science Foundation não consegue mais suprir a demanda crescente. Propostas de cortes no orçamento da National Science Foundation pelo governo Trump geram preocupação entre os cientistas.

Essa medida pode comprometer o futuro de pesquisas que dependem de alto poder computacional. O impacto dessa corrida tecnológica se estende para além dos centros de pesquisa e atinge o bolso do consumidor.

A disputa global por semicondutores, alimentada pela astronomia e pela IA, tende a elevar os custos de diversos dispositivos eletrônicos. Conforme reportagem do Olhar Digital, a astronomia baseada em inteligência artificial redefine a compreensão do universo e expõe as complexas interconexões entre ciência, tecnologia e economia global.


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