Ativista da Flotilha para Gaza relata dez dias de detenção em Israel

Saif Abu Keshek (centro) chega a um aeroporto na Espanha após ser detido em Israel. (Foto: © Manaure Quintero / AFP)

O ativista espanhol Saif Abu Keshek retornou à Espanha após dez dias de detenção em Israel, sendo um dos dois últimos integrantes da Flotilha para Gaza a serem libertados.

Ele foi detido junto com o brasileiro Thiago Ávila durante uma operação israelense no mar Egeu, no final de abril. Ávila seguiu para o Cairo antes de retornar ao Brasil.

Ao chegar a Barcelona, Abu Keshek relatou o impacto psicológico da prisão. Os gritos de prisioneiros palestinos eram audíveis de sua cela.

Os guardas israelenses tentaram minar sua resistência negando a existência da Palestina e oferecendo doces típicos de Naplusa para convencê-lo a interromper uma greve de fome. Durante o período, ele perdeu cerca de 15 quilos.

Abu Keshek afirmou que a tentativa de quebrar sua resiliência — conhecida como Sumud na cultura palestina — não obteve sucesso. O ativista reafirmou sua determinação em continuar a luta pela causa palestina.

Segundo ele, pretende seguir em breve para a Turquia a fim de se reunir com outros participantes da flotilha, iniciativa que reúne cerca de 30 embarcações. O objetivo do grupo é chamar a atenção para a situação em Gaza e denunciar o bloqueio imposto à região.

Abu Keshek agradeceu a mobilização civil internacional que contribuiu para sua libertação. Ele rejeitou o rótulo de herói e pediu que o foco permaneça nos prisioneiros palestinos ainda detidos em Israel.

Israel costuma classificar os participantes dessas missões como provocadores. Os ativistas, por sua vez, defendem o direito de expor as violações de direitos humanos na Faixa de Gaza.

Abu Keshek enfatizou que a pressão popular foi decisiva para que ele e Thiago Ávila fossem soltos. A ação da flotilha mantém o tema vivo no debate internacional.

Mais detalhes sobre a experiência do ativista e o contexto da missão humanitária foram divulgados pela RFI. Abu Keshek saiu da prisão mais magro, mas politicamente fortalecido, e promete seguir na defesa dos direitos dos palestinos.


Leia também: Israel detém ativistas em águas internacionais e enfrenta condenações globais


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