Cientistas rejuvenescem fígado de camundongos com bactérias intestinais jovens

Um profissional de saúde segura uma representação digital do fígado humano. (Foto: sciencedaily.com)

Uma pesquisa inovadora revelou que restaurar o microbioma intestinal para um estado mais jovem pode reverter o envelhecimento do fígado e prevenir o câncer hepático.

Camundongos idosos submetidos a transplantes de suas próprias bactérias intestinais preservadas da juventude apresentaram redução na inflamação, menor dano ao DNA e nenhuma incidência de câncer no fígado. O grupo de controle, que recebeu material fecal esterilizado, desenvolveu câncer em 25% dos casos.

O estudo foi apresentado na Digestive Disease Week 2026 e utilizou o transplante de microbiota fecal para devolver o microbioma jovem aos animais envelhecidos. Um pequeno grupo de camundongos jovens permitiu a comparação direta com os animais mais velhos tratados e não tratados.

Qingjie Li, professor associado da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia da Universidade do Texas Medical Branch e principal autor do estudo, afirmou que o microbioma desempenha um papel mais amplo na proteção contra o câncer do que se imaginava. Segundo ele, o envelhecimento do microbioma não apenas reflete o processo de envelhecimento do corpo, mas também contribui ativamente para o aumento do risco de disfunção hepática e câncer.

Os pesquisadores identificaram mudanças significativas no gene MDM2, associado ao desenvolvimento do câncer de fígado. Camundongos jovens exibiram baixos níveis da proteína MDM2, enquanto os mais velhos não tratados mostraram níveis muito mais altos — e o grupo transplantado suprimiu a proteína de modo semelhante ao dos jovens.

Inicialmente, a equipe investigava os efeitos do microbioma na saúde cardíaca. Os impactos observados no fígado, porém, se revelaram ainda mais significativos, redirecionando a análise para o envelhecimento e o câncer hepático.

Para minimizar complicações imunológicas ou infecções, os cientistas utilizaram o microbioma preservado de cada camundongo em vez de amostras de doadores. Essa escolha também facilita a transposição dos resultados para futuros estudos em humanos, que os pesquisadores esperam iniciar em breve.

As descobertas ainda se limitam a estudos em animais e não podem ser aplicadas diretamente a humanos no momento. O avanço, no entanto, abre caminho para novas abordagens terapêuticas no tratamento de doenças relacionadas ao envelhecimento.

As conclusões reforçam a importância do microbioma intestinal na biologia do envelhecimento e seu potencial como alvo terapêutico para prevenir doenças graves como o câncer hepático. Mais informações estão disponíveis no Science Daily.


Leia também: Cientistas utilizam bactérias de tumores para revolucionar terapia contra o câncer


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