Uma mandíbula masculina descoberta durante escavações na Igreja de São Nicolau Leste, em Aberdeen, na Escócia, continha uma ponte dentária feita com fio de ouro. O artefato, datado entre 1460 e 1670, pode representar a mais antiga ponte dentária registrada no país, de acordo com estudo publicado no British Dental Journal.
A igreja, construída no século XI, funcionou como cemitério ao longo de vários séculos e abrigou mais de novecentas sepulturas. A mandíbula preservava nove dentes, dos quais três apresentavam cáries, além de sinais de doença periodontal e acúmulo de placa endurecida.
A bioarqueóloga da Universidade de Aberdeen, Rebecca Crozier, coautora do estudo, afirmou que o fio de ouro de 20 quilates estava enrolado nas raízes de dois dentes adjacentes ao espaço deixado por um incisivo perdido. Crozier observou que tal configuração indicava o uso prolongado do dispositivo pelo seu portador.
Essa técnica era comum na Europa medieval e executada por barbeiros, curandeiros ou joalheiros, muito antes de a odontologia se consolidar como profissão no século XIX. Registros históricos documentam caso semelhante com uma aristocrata francesa do século XVII, que também empregou fios de ouro para fixar dentes.
No caso escocês, o procedimento pode ter servido para restaurar a capacidade de mastigação e para melhorar a aparência dental, vinculada ao status social e à moralidade na Idade Média. O fio de ouro, embora símbolo de prestígio, provavelmente causava desconforto notável ao morder alimentos mais duros.
A descoberta oferece dados concretos sobre as práticas odontológicas medievais na Escócia. Conforme detalhado pelo portal Olhar Digital, o achado constitui um marco na documentação da história da odontologia no país.
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