Escondida sob o solo do leste dos Estados Unidos, uma estrutura geológica de 200 quilômetros de espessura, datada do Período Jurássico, está desafiando a compreensão da interação entre a Terra e as tempestades solares. Batizada de “Piedmont Resistor”, essa formação, que se estende desde o Maine até a Geórgia, possui propriedades únicas que podem amplificar drasticamente os danos causados por tempestades geomagnéticas.
Pesquisadores financiados pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA instalaram uma Matriz Magnetotelúrica composta por 1.800 estações temporárias para mapear as características elétricas dessa crosta oculta. Os dados revelaram que o Piedmont Resistor redireciona correntes elétricas induzidas por tempestades solares, concentrando-as em camadas mais rasas do solo, onde estão localizadas infraestruturas humanas críticas, como redes elétricas e centros de dados.
A geofísica Anna Kelbert, do Centro de Astrofísica, destacou que essa peculiaridade geológica pode aumentar os riscos de tempestades solares em até mil vezes. Enquanto a maior parte das rochas permite que as correntes elétricas se dissipem de maneira inofensiva, o Piedmont Resistor age como um bloqueador, intensificando os fluxos elétricos em áreas vulneráveis.
Formado há cerca de 200 milhões de anos durante a fragmentação do supercontinente Pangeia, o Piedmont Resistor é composto de rochas ígneas associadas a antigas erupções vulcânicas. Atualmente, ele está enterrado sob sedimentos de montanhas erodidas, mas seu impacto potencial na infraestrutura moderna é alarmante.
Tempestades solares perturbam a magnetosfera da Terra, gerando correntes geomagnéticas que podem sobrecarregar transformadores e outros equipamentos elétricos. No caso de uma tempestade severa, regiões inteiras do leste dos Estados Unidos poderiam enfrentar apagões que durariam dias ou até semanas, conforme alertaram os especialistas.
Além disso, centros de dados, que dependem de fornecimento elétrico estável, seriam diretamente afetados, ameaçando a continuidade de serviços digitais essenciais. A destruição de transformadores também comprometeria geradores de emergência, já que o abastecimento de combustível depende da mesma infraestrutura elétrica vulnerável.
Embora mapas atualizados de risco já considerem os desafios impostos pelo Piedmont Resistor, muitas concessionárias de energia ainda não adaptaram seus planos de infraestrutura. Especialistas defendem que cabe às concessionárias e governos mitigar os riscos iminentes, sob pena de os danos se tornarem irreversíveis em cenários de alta intensidade solar.
Conforme detalhado em reportagem da TechRadar, a questão não é se uma tempestade solar extrema ocorrerá, mas quando. O desafio, portanto, repousa na adaptação e no reforço das infraestruturas críticas para lidar com esse fenômeno inevitável.
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