Estudo alerta que declínio de insetos compromete segurança alimentar global

Ilustração editorial sobre Estudo alerta que declínio de insetos compromete segurança alimentar global. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O declínio acelerado das populações de insetos já impacta a segurança alimentar em várias regiões do planeta. Um estudo inédito publicado na revista Nature quantificou pela primeira vez os efeitos dessa crise na saúde humana e na economia de comunidades agrícolas.

A pesquisa foi conduzida em dez vilarejos do Nepal onde a maior parte dos alimentos consumidos é cultivada localmente. Os cientistas monitoraram ao longo de um ano as interações entre insetos polinizadores e as culturas agrícolas dessas localidades.

Os resultados mostraram que os insetos respondem por cerca de 44% da renda agrícola local. Eles contribuem ainda com mais de 20% da ingestão de nutrientes essenciais como vitamina A, vitamina E e folato.

A redução na diversidade e na quantidade de polinizadores gerou perdas na produção de alimentos e piora na nutrição das famílias. Mais da metade das crianças avaliadas apresentavam baixa estatura para a idade em decorrência de dietas deficientes em frutas, legumes e vegetais.

A pesquisadora Naomi Saville, do Instituto de Saúde Global da University College London e coautora do estudo, alertou para o agravamento da situação. As projeções indicam que, sem adaptações nas práticas agrícolas, a ingestão de vitamina A e folato pode cair 7% até 2030.

Essa redução aumentaria os riscos de perda de visão e de defeitos congênitos na população afetada. Embora o estudo tenha se concentrado no Nepal, os autores enfatizam que o problema possui alcance global.

Cerca de dois bilhões de pessoas dependem da agricultura de pequena escala em todo o mundo. Três quartos das culturas agrícolas mundiais necessitam de polinização por insetos para se desenvolverem.

Produtos amplamente consumidos como café, amêndoas e chocolate estão entre os mais vulneráveis ao declínio de polinizadores. A continuidade do atual ritmo de perda de insetos pode comprometer a capacidade de muitos agricultores de produzir alimentos em escala significativa.

O estudo identifica soluções práticas para mitigar esses impactos. Medidas como o plantio de flores nativas próximas às lavouras, a manutenção de abelhas silvestres e a redução do uso de pesticidas mostram resultados promissores.

Essas ações podem elevar a renda agrícola em até 30%. A ingestão de nutrientes essenciais também pode melhorar em até 9% com a implementação das medidas.

O ecologista Thomas Timberlake, da Universidade de York e coautor da pesquisa, reforçou a importância da biodiversidade. Para ele, “a biodiversidade não é um luxo” — é fundamental para a saúde, a nutrição e os meios de subsistência das populações.

O trabalho destaca a urgência de ações globais para preservar os polinizadores. A preservação desses insetos revela-se essencial para o equilíbrio dos ecossistemas e para a segurança alimentar de bilhões de pessoas.

Os detalhes completos da pesquisa estão disponíveis no portal Live Science, que divulgou o estudo pioneiro.


Leia também: Declínio de polinizadores põe em risco saúde e segurança alimentar mundial


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