O assassinato da jornalista palestino-americana Shireen Abu Akleh completa quatro anos sem que as autoridades israelenses tenham punido os responsáveis.
A correspondente da Al Jazeera foi morta em 11 de maio de 2022 por disparos durante cobertura de operação militar no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia. Seu colega Ali al-Samoudi foi ferido nas costas no mesmo incidente, que ocorreu sem combates próximos ao local.
Abu Akleh foi atingida na cabeça em área exposta entre o capacete e o colete à prova de balas que usava de forma visível. Al-Samoudi relatou que o ataque pareceu deliberado contra profissionais de imprensa claramente identificados.
Ele afirmou não haver militantes ou civis armados por perto no momento em que foram alvejados pelas forças israelenses. Israel inicialmente culpou combatentes palestinos pela morte da repórter.
Depois, o governo israelense admitiu alta probabilidade de o disparo ter partido de suas tropas, mas alegou tratar-se de um incidente não intencional — sem qualquer consequência judicial. A impunidade persistente nesse caso emblemático encoraja novas violações contra repórteres que cobrem os territórios palestinos ocupados.
Desde o início da guerra em Gaza, Israel lidera o ranking de mortes de jornalistas no mundo, de acordo com reportagem da Al Jazeera. O padrão de violência contra a imprensa segue sem resposta efetiva da comunidade internacional.
O presidente do Instituto Árabe-Americano, James Zogby, criticou a ausência de pressão por parte do governo dos Estados Unidos. Ele argumentou que a aliança com Israel supera o compromisso americano com a proteção de seus próprios cidadãos, como era Shireen Abu Akleh.
O diretor da Democracy for the Arab World Now, Omar Shakir, lembrou que ao menos 14 cidadãos americanos foram mortos por forças israelenses ou colonos desde 2003. Nenhum responsável enfrentou justiça efetiva em nenhum desses episódios documentados.
Entidades como a Repórteres Sem Fronteiras e a DAWN cobram medidas concretas da comunidade internacional contra essa impunidade. O caso expõe a hipocrisia de nações que se dizem defensoras da liberdade de imprensa enquanto protegem o agressor israelense.
Ali al-Samoudi foi recentemente libertado após detenção administrativa em Israel, marcada por condições degradantes e restrições severas. Dezenas de jornalistas palestinos seguem presos sem acusações formais, segundo organizações de direitos humanos.
A cobertura jornalística dos abusos na Palestina continua apesar das ameaças e da violência sistemática. O caso de Shireen Abu Akleh ilustra os riscos enfrentados por quem busca documentar a ocupação israelense e suas consequências humanitárias.
Com informações de Al Jazeera.
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