Sondas Voyager da NASA enfrentam declínio energético após quase 50 anos de missão

Ilustração artística da sonda Voyager no espaço profundo, em meio a estrelas e nebulosas. (Foto: olhardigital.com.br)

As sondas Voyager 1 e Voyager 2, lançadas pela NASA em 1977, enfrentam declínio significativo em sua capacidade energética e se aproximam do fim de suas longas operações após quase cinco décadas enviando dados do espaço interestelar.

Inicialmente criadas para estudar os planetas gigantes do sistema solar, as duas espaçonaves superaram em muito sua expectativa de vida útil. Elas ainda transmitem informações valiosas mesmo a bilhões de quilômetros de distância da Terra.

Atualmente as sondas operam com fração dos 470 watts gerados no lançamento e perdem cerca de quatro watts por ano. Essa perda forçou a agência espacial a desligar instrumentos gradualmente para estender a missão o máximo possível.

A Voyager 1, que entrou no espaço interestelar em 2012, opera com quatro instrumentos científicos ativos. Esses incluem o magnetômetro, o analisador de plasma, os detectores de raios cósmicos e o subsistema de ondas de plasma.

A Voyager 2, que alcançou o espaço interestelar em 2018, mantém três instrumentos em funcionamento. O subsistema de raios cósmicos continua ativo ao lado de outros sensores importantes para a coleta de dados.

Engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA desenvolveram uma estratégia batizada de Big Bang para mitigar a perda de energia. O plano desliga três dispositivos que impedem o congelamento das linhas de combustível e os substitui por sistemas alternativos de baixo consumo.

Se a medida for bem-sucedida, ela pode adiar o desligamento de instrumentos científicos por pelo menos mais um ano. Os testes dessa nova abordagem estão previstos para ocorrer na Voyager 2 entre maio e junho de 2026.

A gerente do projeto Voyager da NASA, Suzanne Dodd, afirmou que as espaçonaves podem alcançar o marco de 50 anos de missão em 2027. A ambição da equipe inclui ainda que ambas atinjam 200 unidades astronômicas de distância da Terra até 2035.

Atualmente a Voyager 1 encontra-se a cerca de 169,8 unidades astronômicas do planeta. A Voyager 2 está a aproximadamente 143,1 unidades astronômicas, segundo dados atualizados da missão.

O cientista Alan Cummings, co-investigador da missão, destacou a degradação causada pela radiação e o envelhecimento dos computadores de backup. Ele também mencionou o risco permanente de congelamento das linhas de combustível, apesar da energia nuclear ainda disponível.

Grande parte da energia restante nas sondas é destinada aos sistemas de transmissão de dados para a Terra. Esses transmissores consomem cerca de 200 watts e representam prioridade para manter o contato com os controladores em solo.

As missões Voyager entregam informações únicas sobre o meio interestelar e os campos magnéticos além da heliosfera. Os dados continuam a refinar o conhecimento científico mesmo com os recursos cada vez mais limitados das antigas sondas.

Conforme detalhou o portal Olhar Digital em sua cobertura especializada, a equipe da NASA trabalha com otimismo cauteloso. Os desafios técnicos acumulados ao longo de quase cinco décadas testam os limites da engenharia espacial original.


Leia também: NASA prepara manobra Big Bang para prolongar operações das sondas Voyager


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