Astrônomos identificam possível par recordista de buracos negros

Ilustração artística mostra um par de buracos negros em fusão no espaço. (Foto: www.sciencenews.org)

Em uma galáxia isolada, a cerca de 4,4 bilhões de anos-luz de distância, cientistas podem ter desvendado um enigma cósmico de proporções colossais. Trata-se de um par de buracos negros cuja massa combinada alcança impressionantes 60 bilhões de vezes a do Sol, um recorde absoluto no universo conhecido.

Os buracos negros habitam o núcleo da galáxia Abell 402-BCG, uma região peculiar marcada por um vazio estelar de aproximadamente 3.200 anos-luz de diâmetro. Inicialmente, em 2018, os astrônomos suspeitaram que a escuridão fosse causada por uma densa nuvem de poeira, mas análises mais recentes revelaram que a área está completamente desprovida de estrelas.

Com o auxílio do Telescópio Espacial James Webb e do Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, os cientistas desvendam a natureza dessa região enigmática. Segundo os estudos publicados na revista Astrophysical Journal Letters, a área deserta é palco de uma interação gravitacional entre dois buracos negros ultramassivos em rota de fusão.

Essas fusões são fenômenos raros que ocorrem quando galáxias colidem, unindo não apenas suas estrelas, mas também seus buracos negros centrais. Durante o processo, os buracos negros expulsam estrelas próximas, criando a zona de vazio que os astrônomos agora conseguem observar.

Michael McDonald, astrofísico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), destacou que o par de buracos negros parece estar unido há apenas dezenas de milhões de anos. Embora recente em termos cósmicos, essa união culminará inevitavelmente na formação de um único buraco negro ainda mais massivo em um futuro distante.

Quando ocorrer, essa fusão produzirá um dos maiores buracos negros já observados, com uma massa que desafia os limites conhecidos da astrofísica. Buracos negros individuais com tamanha magnitude são extremamente raros, o que torna esta descoberta uma janela única para o estudo de eventos extremos no universo.

A raridade e o estágio avançado da fusão oferecem dados preciosos para os cientistas investigarem a frequência e a dinâmica de tais eventos. Além disso, os impactos dessas fusões na evolução das galáxias que os abrigam podem revelar segredos sobre a formação de estruturas cósmicas.

Conforme relatado por pesquisadores, a descoberta é um marco para a astrofísica moderna. Ela também ressalta a importância de instrumentos de alta tecnologia, como o James Webb, na exploração de fenômenos que antes eram inacessíveis aos olhos humanos.


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