Cientistas identificam chave genética para frutificação precoce em amoras

Amoras maduras penduradas em um galho, com fundo verde desfocado. (Foto: phys.org)

Pesquisadores da Universidade de Arkansas identificaram a região genética responsável pela frutificação precoce em amoras, em avanço significativo para a horticultura mundial. A descoberta foi publicada na revista científica GENETICS e pode acelerar o desenvolvimento de novas variedades adaptadas a diferentes climas.

O estudo foi liderado por Margaret Worthington, diretora do Programa de Melhoramento de Frutas da Universidade de Arkansas. A pesquisa revelou que uma única região genômica no cromossomo Ra03 está fortemente associada à frutificação no primeiro ano, conhecida tecnicamente como primocane-fruiting.

Essa característica tem sido crucial para a expansão da produção de amoras em mercados frescos. Ela permite o cultivo em climas mais quentes e fora do período tradicional de colheita.

Para validar os resultados, os cientistas utilizaram mapeamento genético em uma população biparental separada. O processo confirmou que a mesma região cromossômica controla o traço.

Dentro dessa área genômica, foram identificados dez genes candidatos relacionados à regulação do florescimento. Dois deles foram priorizados para análises mais detalhadas devido ao seu papel já conhecido no desenvolvimento das plantas.

Além de desvendar a base genética da frutificação precoce, o estudo trouxe benefícios imediatos para os programas de melhoramento. Os pesquisadores desenvolveram dois marcadores de DNA, denominados PF1 e PF2, que permitem prever com alta precisão se uma planta apresentará a característica de primocane-fruiting.

Testados em cerca de 500 seleções de amoras, os marcadores demonstraram taxa de acerto superior a 96%. Conforme reportagem do portal Phys.org, a ferramenta representa um salto qualitativo na velocidade dos programas de seleção varietal.

Worthington destacou que as amoras de frutificação precoce ainda apresentam desafios em relação à qualidade dos frutos, como sabor e firmeza. O uso dos novos marcadores genéticos, porém, tem acelerado os avanços nesse aspecto.

Segundo ela, a característica de primocane-fruiting é herdada de forma recessiva. As amoras autotetraploides, com quatro cópias de cada cromossomo, oferecem vantagens no melhoramento, como maior diversidade genética e resiliência a estresses ambientais.

O programa da Universidade de Arkansas, responsável pelo desenvolvimento das primeiras amoras de frutificação precoce do mundo, continua a liderar a inovação na área. Worthington afirmou que a aplicação dos marcadores nos últimos três anos já mostra progressos mais rápidos na qualidade dos frutos.

A descoberta representa um marco para a horticultura e para a comunidade global de produtores de amoras. O avanço reforça o papel central da genômica aplicada na modernização da agricultura e na segurança alimentar em escala global.


Leia também: Cientistas identificam 17 espécies de bactérias que causam mancha em cogumelos


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.