Cientistas identificaram um padrão químico oculto que pode servir como marcador para a existência de vida em outros planetas.
A nova abordagem analisa a organização estatística dos compostos em vez de focar em moléculas específicas como aminoácidos ou ácidos graxos. O estudo foi publicado na Nature Astronomy.
O autor principal, Gideon Yoffe, pesquisador do Instituto Weizmann de Ciências em Israel, liderou o trabalho. Yoffe destacou que a vida não apenas produz moléculas, mas cria um princípio organizacional detectável por análises estatísticas.
O professor assistente de ciências planetárias da Universidade de Washington, Fabian Klenner, contribuiu como coautor. Klenner observou que a metodologia distingue materiais biológicos de processos químicos não biológicos com base na distribuição e diversidade dos compostos.
A pesquisa revelou que aminoácidos em sistemas vivos apresentam maior diversidade e distribuição mais uniforme. Ácidos graxos produzidos por processos não biológicos, por outro lado, tendem a ser mais uniformemente distribuídos do que os de origem biológica.
Essa assinatura estatística foi identificada de forma consistente em mais de 100 conjuntos de dados. Os dados englobaram amostras de meteoritos, fósseis e experimentos laboratoriais que simulam condições espaciais.
Yoffe comparou a astrobiologia a uma ciência forense que trabalha com pistas incompletas e dados limitados de missões espaciais. A metodologia, adaptada de métricas de biodiversidade usadas em ecologia, oferece uma ferramenta poderosa para interpretar sinais químicos complexos.
Um dos achados mais importantes foi a capacidade de identificar atividade biológica em materiais altamente degradados. Cascas fossilizadas de ovos de dinossauros ainda apresentavam os padrões estatísticos mesmo após milhões de anos de degradação.
A técnica pode ser aplicada em missões espaciais atuais e futuras para Marte, Europa e Encélado. Ela permitirá uma análise mais precisa dos dados químicos coletados por esses projetos.
A descoberta representa um avanço na identificação de possíveis biossinais, embora não seja suficiente para confirmar vida extraterrestre por si só. Múltiplas linhas de evidência independentes são necessárias para qualquer conclusão.
Klenner enfatizou que as evidências devem ser analisadas no contexto geológico e químico específico de cada ambiente planetário. A nova abordagem adiciona uma ferramenta valiosa à busca por vida além da Terra.
Com informações de SCIENCEDAILY.
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