Uma explosão de grandes proporções abalou o bairro do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, deixando um rastro de destruição: uma pessoa morta, 36 imóveis atingidos e ao menos 160 moradores desalojados.
As causas exatas ainda são objeto de investigação pelas autoridades competentes. Nenhuma conclusão oficial foi divulgada até o momento sobre a origem do sinistro.
O incidente coloca sob escrutínio a atuação da Sabesp e da Comgás, as duas concessionárias de serviços públicos diretamente envolvidas no episódio. Ruas inteiras do Jaguaré foram transformadas em cenário de escombros, e centenas de famílias seguem sem teto.
A Comgás, privatizada no final dos anos 1990 e atualmente controlada pelo grupo Compass, ligado à Cosan, opera sob regulação da Arsesp, a agência estadual de saneamento e energia de São Paulo. O episódio no Jaguaré levanta perguntas sérias sobre os protocolos de manutenção e fiscalização da rede de distribuição de gás na capital paulista.
A Sabesp carrega um histórico recente de ocorrências que incluem crateras abertas em vias públicas e registros de contaminação em reservatórios. A estatal foi privatizada sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas em processo que gerou controvérsias, entre elas a nomeação de Karla Bertocco Trindade para presidir o conselho da empresa já privatizada — mesmo ela integrando, à época, o conselho da Equatorial, grupo que participou da operação de aquisição das ações.
O modelo de venda adotado foi o de oferta de ações em bolsa de valores. O preço negociado foi alvo de críticas por analistas que o consideraram abaixo do valor justo estimado para o ativo.
Desde então, a promessa de que a iniciativa privada traria saltos de eficiência e qualidade ao serviço de saneamento ainda aguarda comprovação concreta nos bairros da cidade. A tragédia no Jaguaré reacende esse debate com força.
Apesar da gravidade do desastre, a cobertura da grande imprensa adotou um tom predominantemente protocolar, sem cobranças mais incisivas ao governador Tarcísio. O contraste com o tratamento dispensado a gestões anteriores de orientação progressista não passou despercebido por analistas de mídia e pela população nas redes sociais.
A tragédia no Jaguaré se insere num debate mais amplo sobre os limites e os riscos do modelo de concessão e privatização de serviços essenciais no estado de São Paulo. Quando a lógica do dividendo ao acionista prevalece sobre o investimento em infraestrutura e manutenção preventiva, são os moradores — como os 160 desalojados — que pagam a conta mais cara.
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