Trabalhadores da Meta distribuíram panfletos em múltiplos escritórios nos Estados Unidos para protestar contra a instalação de um software que monitora os movimentos do mouse em seus computadores.
Os folhetos apareceram em salas de reunião, máquinas de venda automática e sobre dispensadores de papel higiênico, encorajando colegas a assinarem uma petição online contra a medida.
‘Não quer trabalhar na Fábrica de Extração de Dados dos Funcionários?’, perguntavam os panfletos, conforme reportagem do Olhar Digital com base em fotos obtidas pela Reuters. Os materiais citavam explicitamente a Lei Nacional de Relações Trabalhistas dos EUA, afirmando que ‘os trabalhadores são legalmente protegidos quando escolhem se organizar para melhorar as condições de trabalho.’
O porta-voz da Meta, Andy Stone, defendeu a tecnologia com um argumento que mistura conveniência corporativa e desenvolvimento de inteligência artificial. ‘Se estamos construindo agentes para ajudar pessoas a completar tarefas diárias usando computadores, nossos modelos precisam de exemplos reais de como as pessoas realmente os usam — coisas como movimentos do mouse, cliques em botões e navegação em menus suspensos’, disse a empresa em nota.
A justificativa não convenceu os trabalhadores. O protesto ocorre em um momento de tensão máxima dentro da companhia: a Meta programou mais uma rodada de demissões em massa, que deve atingir cerca de oito mil pessoas — o equivalente a 10% de seu quadro total de funcionários.
A revolta não se limita ao território americano. No Reino Unido, um grupo de funcionários da Meta iniciou uma campanha de sindicalização junto ao United Tech and Allied Workers (UTAW), filial do Sindicato dos Trabalhadores da Comunicação, chegando a criar um site dedicado ao recrutamento de membros.
Eleanor Payne, organizadora da UTAW, foi direta na avaliação do cenário: ‘Os funcionários da Meta estão pagando o preço pelas apostas imprudentes e caras da administração. Enquanto os executivos perseguem estratégias especulativas de IA, os funcionários enfrentam cortes de empregos devastadores, vigilância draconiana e a cruel realidade de serem forçados a treinar os sistemas que estão sendo planejados para substituí-los.’
A frase de Payne condensa a contradição central do momento: os próprios trabalhadores que constroem as ferramentas de IA da Meta são agora vigiados por essas mesmas ferramentas e, em seguida, descartados em nome delas. O rastreamento de mouse não é um detalhe técnico menor — é a coleta compulsória de dados comportamentais de empregados para alimentar modelos que, segundo a empresa admite abertamente, visam automatizar as tarefas que esses mesmos empregados executam hoje.
A movimentação sindical simultânea nos EUA e no Reino Unido sinaliza que a resistência interna na Meta está ganhando escala e coordenação. Com demissões programadas, vigilância digital crescente e uma corrida de IA que transforma trabalhadores em fontes de dados descartáveis, o ambiente nas fileiras da big tech aponta para um conflito trabalhista de proporções ainda maiores nos próximos meses.
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