Em novembro de 1969, três astronautas da NASA embarcaram na missão Apollo 12 rumo à Lua e se tornaram o segundo grupo de seres humanos a pisar no solo lunar. Mais de meio século depois, a missão histórica volta a capturar a atenção do mundo — não pelo que os astronautas fizeram, mas pelo que eles viram.
O comandante da missão, Charles ‘Pete’ Conrad Jr., e o piloto do módulo lunar, Alan L. Bean, pousaram na superfície lunar nos dias 19 e 20 de novembro de 1969 a bordo da nave batizada de Intrepid. O terceiro tripulante, Richard F. Gordon, permaneceu solitário por 31 horas pilotando o módulo de comando em órbita lunar, enquanto seus companheiros caminhavam sobre a poeira cinzenta do satélite.
Foi Bean quem, ao observar pelo telescópio óptico de alinhamento do módulo lunar — um dispositivo semelhante a um periscópio que oferecia uma visão estreita e sem ampliação do exterior da nave —, deparou-se com algo que o desconcertou profundamente. ‘Você pode ver essas luzes — partículas de luz, flashes de luz… simplesmente navegando pelo espaço’, disse o astronauta ao controle da missão, segundo a transcrição oficial da comunicação.
Essa transcrição já era publicamente disponível há décadas, mas ganhou novo fôlego ao ser resgatada em meio a um conjunto de arquivos desclassificados sobre fenômenos aéreos não identificados, divulgados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos em 8 de maio. O pacote incluiu aproximadamente 150 arquivos, vídeos e imagens de supostos avistamentos de OVNIs coletados por diversas agências governamentais americanas ao longo dos anos.
Bean inicialmente cogitou que as partículas poderiam estar vazando do sistema de refrigeração da nave, mas logo acrescentou uma observação ainda mais intrigante. ‘Parece que algumas dessas coisas estão escapando da Lua. Elas realmente disparam daqui e avançam em direção às estrelas’, relatou o astronauta, segundo o mesmo documento histórico.
As imagens recém-divulgadas, analisadas pelo portal Live Science, mostram luzes não identificadas dançando no céu sobre o horizonte lunar, vistas a partir do local de pouso da Apollo 12. Em algumas fotografias, as luzes aparecem com tonalidade azulada; em outras, surgem isoladas ou em pequenos grupos, e uma imagem particularmente densa registra focos luminosos em cinco regiões distintas do céu.
O detalhe revelador está no tratamento dado às fotografias: a NASA destacou e ampliou as fontes de luz nas versões recém-desclassificadas, sugerindo que elas foram objeto de alguma investigação interna da agência em algum momento do passado. A NASA, contudo, não emitiu qualquer conclusão oficial sobre a origem ou a natureza dessas luzes.
Durante a missão, o controle de voo questionou os astronautas sobre a possibilidade de as luzes serem interferências eletromagnéticas — sinais indesejados emitidos por tecnologia humana ou por fontes de radiação cósmica, como erupções solares. Os astronautas concordaram que essa hipótese era plausível e encerraram a investigação por ali, deixando o mistério em aberto por décadas.
O caso permanece sem resolução definitiva, assim como todos os outros arquivos desclassificados neste lote, em razão da baixa qualidade dos dados disponíveis. Imagens borradas de décadas atrás e comentários feitos no calor do momento oferecem pouquíssimas informações científicas concretas para uma análise rigorosa.
A NASA mantém a posição institucional de que fenômenos anômalos não identificados — chamados de UAP pelo governo americano, sigla em inglês para ‘Unidentified Anomalous Phenomena’ — são reais, mas não têm relação com vida extraterrestre. A agência espacial busca evidências de inteligência extraterrestre há décadas, utilizando os telescópios mais avançados e caros já construídos pela humanidade, sem nenhum resultado conclusivo até o momento.
Uma investigação do próprio Departamento de Defesa americano, publicada em 2022, apontou que as fontes mais prováveis para a maioria dos UAPs são bastante mundanas: detritos no ar, defeitos fotográficos como reflexos de luz e ilusões ópticas são as explicações mais recorrentes. Na superfície terrestre, pássaros, balões meteorológicos e aeronaves espiãs de países estrangeiros figuram como suspeitos habituais.
A desclassificação do lote de maio integra um movimento mais amplo do governo americano de tornar públicos registros relacionados a UAPs acumulados por décadas em arquivos de agências como o Pentágono e a CIA. O processo, no entanto, é gradual e seletivo, e os documentos liberados raramente vêm acompanhados de análises técnicas conclusivas ou de contexto suficiente para uma avaliação científica independente.
As fotografias da Apollo 12, assim como as transcrições que as acompanham, já existiam nos arquivos da NASA desde a era espacial. O que muda agora é o enquadramento oficial: ao destacar e ampliar as fontes de luz, a agência admite implicitamente que essas imagens foram estudadas, ainda que os resultados desse estudo permaneçam envoltos em silêncio institucional. O mistério das luzes sobre a Lua segue sem resposta — e talvez seja exatamente esse silêncio, mais do que as luzes em si, o dado mais revelador de toda a história.
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