M23 recua de posições no Sud-Kivu após pressão dos Estados Unidos

Um militar da República Democrática do Congo em posição de guarda. (Foto: © JOSPIN MWISHA / AFP)

O grupo armado AFC/M23, associado ao apoio do governo ruandês, iniciou um recuo estratégico de várias localidades na província de Sud-Kivu, no leste da República Democrática do Congo.

Os combatentes começaram a se retirar na noite de domingo, 10 de maio, de áreas próximas à cidade de Uvira, que o grupo havia tomado em dezembro de 2025. Testemunhas e o exército da RDC confirmaram a saída de localidades como Sange, Nyakabere, Luberizi e Bwerega, nas planícies de Ruzizi e nos Altos-Plateaux.

As forças congolesas anunciaram a retomada do controle sobre essas áreas. Lideranças do M23 definem o movimento como um reposicionamento alinhado aos esforços de pacificação em curso.

Um representante do grupo afirmou que a retirada constitui um gesto de boa-fé para avançar no processo de paz. A ocupação de Uvira em dezembro de 2025 provocou reação enérgica de Washington, que exigiu recuo unilateral das forças.

O Departamento de Estado dos EUA demandou o retorno a posições situadas a cerca de 65 quilômetros ao norte de Uvira. Atualmente o M23 se concentra em Luvungi, restabelecendo as linhas que ocupava antes da ofensiva de dezembro de 2025.

Na sexta-feira, 8 de maio, o Departamento de Estado reiterou o apelo por cessar-fogo imediato e redução das tensões no leste congolês. A retirada ao longo do eixo Uvira-Bukavu marca um avanço concreto, conforme detalhado pela Al Jazeera.

A presença de grupos armados no leste da RDC remonta a disputas étnicas históricas e ao controle de recursos minerais valiosos. Essa instabilidade, agravada por interesses econômicos e rivalidades políticas, alimenta uma grave crise humanitária persistente.

O confronto com o M23 representa um dos múltiplos desafios à estabilização da República Democrática do Congo. A província de Sud-Kivu, rica em recursos naturais, segue disputada por diversas facções armadas que impedem a reconstrução nacional.

A mediação internacional evidencia a relevância estratégica da região para a estabilidade centro-africana. Qualquer solução duradoura exigirá compromisso contínuo das partes envolvidas e coordenação efetiva da comunidade internacional.

Com informações de RFI.


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