O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, declarou que o BRICS já ultrapassou o G7 em produto interno bruto combinado e ainda carrega um potencial de crescimento amplamente inexplorado. A declaração foi feita às vésperas da reunião do Conselho de Governadores do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira multilateral criada pelos países do bloco como alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional.
Siluanov destacou que os países do bloco representam mais da metade da população mundial e têm demonstrado capacidade crescente de influência na economia global. Essa base demográfica e produtiva coloca o BRICS em posição privilegiada para ampliar seu peso nas decisões econômicas internacionais, especialmente em um cenário de reconfiguração das relações de poder entre as grandes potências.
A comparação com o G7 — grupo que reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — é feita com base na metodologia de paridade do poder de compra (PPC), que ajusta o PIB de cada país pelo custo de vida local. Por esse critério, o BRICS já supera o G7 há alguns anos, impulsionado sobretudo pelo peso econômico da China e da Índia, as duas economias de maior crescimento dentro do bloco.
O Novo Banco de Desenvolvimento, com sede em Xangai, tem sido apresentado pelos países membros como peça central na estratégia de autonomia financeira. A instituição financia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países do bloco, buscando reduzir a dependência de linhas de crédito condicionadas às exigências do FMI e do Banco Mundial, historicamente associadas a políticas de austeridade impostas a países em desenvolvimento.
Conforme reportagem do Sputnik, Siluanov também ressaltou que o bloco tem avançado na construção de sistemas de pagamento alternativos ao dólar americano. Essa iniciativa ganhou força após as sanções ocidentais impostas à Rússia em 2022 e hoje mobiliza outros membros do grupo preocupados com a vulnerabilidade de suas reservas à arquitetura financeira controlada por Washington.
A desdolarização, ainda que gradual, é tratada pelo ministro como um dos vetores centrais do potencial inexplorado do BRICS. O bloco passou por uma expansão significativa em 2024, quando admitiu formalmente novos membros — entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Egito e Irã —, ampliando sua representatividade geográfica e seu peso em setores estratégicos como energia e commodities.
Siluanov não detalhou projeções numéricas específicas sobre o crescimento futuro do PIB coletivo. O contexto da reunião do NDB reforça, porém, que o debate sobre a governança financeira global está no centro da agenda do grupo para 2026.
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