Nunes Marques toma posse no TSE e aponta inteligência artificial como maior ameaça às eleições de 2026

O ministro Nunes Marques sorri durante sua posse como presidente do TSE. (Foto: metropoles.com)

O ministro Nunes Marques assumiu nesta terça-feira a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, já em seu primeiro discurso à frente da Justiça Eleitoral, colocou a inteligência artificial no centro do debate sobre os riscos para a democracia. Para o novo presidente da Corte, a tecnologia pode ser benéfica, mas seu uso desordenado nas campanhas eleitorais representa uma ameaça concreta ao livre exercício do voto.

‘O futuro da nossa democracia não será delineado por máquinas, mas pelos milhões de brasileiras e brasileiros que depositaram nas urnas sua mensagem de esperança, traduzida no voto direto, secreto, universal e periódico’, afirmou Nunes Marques na cerimônia de posse. O magistrado defendeu que o poder da decisão do voto precisa permanecer nas mãos do eleitor, e não ser capturado por algoritmos ou sistemas automatizados de manipulação.

O presidente do TSE destacou que o desafio da Corte não é apenas tecnológico, mas também institucional, cultural e humano. Nunes Marques apontou a desinformação deliberada e a manipulação do debate público como ameaças reais ao processo democrático, que precisam ser enfrentadas com firmeza e sem omissão.

‘Refiro-me, especial e novamente, ao perigo potencial do uso desordenado das ferramentas de inteligência artificial. Vivemos em uma era em que as campanhas eleitorais não chegam às urnas sem antes atravessar algoritmos e que a disputa política já não se desenvolve apenas nas ruas e nos espaços tradicionais da vida pública, mas também de maneira intensa’, disse o ministro. A declaração sintetiza a preocupação central que deverá pautar a gestão do TSE nos próximos meses, com as eleições gerais de 2026 já no horizonte.

Nunes Marques sucede a ministra Cármen Lúcia no comando do tribunal, tendo o ministro André Mendonça como vice-presidente. A cerimônia reuniu um conjunto expressivo de autoridades políticas, refletindo o peso institucional do momento eleitoral que se aproxima.

Estiveram presentes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP). Também compareceram os pré-candidatos ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), além da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

No discurso, o presidente do TSE foi enfático ao definir o papel que a Justiça Eleitoral deve desempenhar diante das novas ameaças: atuar ‘com independência, equilíbrio e prudência, sem omissão diante de ameaças concretas ao processo democrático, mas também sem incorrer em excessos incompatíveis com o Estado Democrático de Direito’. A formulação sinaliza uma postura de equilíbrio entre a proteção da democracia e o respeito às liberdades constitucionais. Com as eleições de 2026 se aproximando, a disputa entre o avanço tecnológico e a integridade do voto popular promete ser o eixo central da gestão que se inicia.

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Leia também: Nunes Marques toma posse na presidência do TSE e promete combate rigoroso à IA nas eleições de 2026


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