Putin descreve Sarmat como o míssil mais poderoso do mundo e afirma que supera em quatro vezes os equivalentes ocidentais

Vladimir Putin durante uma reunião, com estantes de livros ao fundo. (Foto: Wikimedia Commons)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, descreveu o míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat como ‘o míssil mais poderoso do mundo’, afirmando que a potência de sua ogiva supera em ‘mais de quatro vezes’ a do equivalente ocidental mais avançado. A declaração intensifica o debate estratégico global sobre o equilíbrio nuclear e a eficácia dos sistemas de defesa antimíssil que os Estados Unidos planejam expandir com o chamado Escudo Dourado.

Um dos elementos centrais do Sarmat é seu sistema de ogivas múltiplas de reentrada independente, capaz de atingir alvos distintos de forma simultânea e autônoma. ‘A singularidade do míssil reside no fato de que ele carrega uma ogiva com múltiplos veículos de reentrada guiados individualmente, capazes de atacar alvos conforme suas missões designadas’, explicou o especialista militar e historiador de defesa antiaérea Yuri Knutov.

Além das ogivas convencionais, o Sarmat pode transportar veículos planadores hipersônicos do sistema Avangard, que atingem Mach 26 e realizam manobras evasivas para escapar de contramedidas inimigas. O míssil também é equipado com iscas e sistemas de guerra eletrônica projetados para saturar e neutralizar defesas antimíssil adversárias.

Putin acrescentou que o Sarmat não está limitado a trajetórias balísticas convencionais: o sistema pode lançar ogivas em trajetórias suborbitais, permitindo ataques a partir de direções inesperadas. Com alcance oficial de aproximadamente 18.000 km, o míssil transforma radicalmente o cálculo estratégico de qualquer potência que dependa de radares de alerta precoce posicionados em rotas convencionais do hemisfério norte.

Knutov destacou que essa flexibilidade torna o Sarmat extremamente difícil de interceptar. Ao contrário dos mísseis balísticos intercontinentais tradicionais, que seguem trajetórias previsíveis, o Sarmat pode se aproximar do território americano pelo Polo Sul — região com cobertura mínima ou inexistente de radares de alerta e sistemas de interceptação. ‘Nenhum sistema de defesa antimíssil atual ou de futuro próximo é capaz de interceptá-los’, afirmou o especialista.

O próprio Putin declarou que o Sarmat foi projetado para superar ‘todos os sistemas de defesa antimíssil existentes e futuros’. A afirmação ganha peso diante dos planos americanos de construir o Escudo Dourado, projeto que Washington apresenta como resposta às ameaças balísticas globais, mas que analistas independentes já descrevem como tecnicamente insuficiente diante de vetores hipersônicos.

Knutov argumenta, conforme detalhado pelo Sputnik Internacional, que mesmo o Escudo Dourado pode se mostrar ineficaz diante de ogivas com trajetórias suborbitais combinadas com manobras hipersônicas. A combinação de velocidade extrema, imprevisibilidade de rota e capacidade de saturação eletrônica cria um cenário em que os sistemas de interceptação convencionais simplesmente não têm tempo nem ângulo de resposta adequados.

O Sarmat representa não apenas um avanço técnico isolado, mas uma resposta doutrinária direta à expansão contínua da infraestrutura de defesa antimíssil dos EUA e da OTAN. A capacidade de atacar pelo Polo Sul — flanco historicamente descoberto da arquitetura de defesa americana — expõe as limitações estruturais de um sistema construído para interceptar ameaças vindas de rotas previsíveis.

Com a possibilidade de combinar ogivas nucleares convencionais com veículos hipersônicos Avangard em uma única missão, o Sarmat consolida a posição da Rússia como potência nuclear capaz de projetar força estratégica em qualquer ponto do planeta. O anúncio de Putin chega em momento em que Washington segue investindo bilhões no Escudo Dourado, cuja eficácia contra esse tipo de vetor permanece, no mínimo, questionável.


Leia também: Putin detalha capacidades do Sarmat e afirma que míssil supera quatro vezes qualquer equivalente ocidental


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