Startup de cibersegurança com IA capta US$ 125 milhões e é avaliada em US$ 725 milhões

Equipe da Exaforce posa para foto em seu escritório. (Foto: techcrunch.com)

A corrida armamentista digital está redefinindo o mercado global de segurança cibernética. A Exaforce, startup americana especializada em detectar e neutralizar ataques em tempo real com uso de inteligência artificial, anunciou a captação de US$ 125 milhões em uma rodada Série B, que avaliou a empresa de três anos de existência em US$ 725 milhões.

A rodada contou com a participação dos fundos HarbourVest, Peak XV, Mayfield, Khosla Ventures e Seligman Ventures. O aporte chega apenas um ano após a empresa ter levantado US$ 75 milhões em sua Série A, elevando o total captado para US$ 200 milhões.

O volume de recursos reflete tanto o alto custo de construir e comercializar um centro de operações de segurança baseado em IA quanto o tamanho da oportunidade que os investidores enxergam no setor. O crescimento acelerado da Exaforce ocorre num momento em que agentes maliciosos passaram a usar a própria IA para explorar vulnerabilidades de software em velocidade sem precedentes, conforme reportou o TechCrunch.

O co-fundador e CEO da Exaforce, Ankur Singla, resume a proposta da empresa de forma direta: ‘É um mandato muito simples, mas extremamente complexo de executar.’ A plataforma opera por meio de agentes de IA chamados ‘Exabots’, que realizam análise profunda de dados para automatizar operações de segurança e reduzir a carga sobre analistas humanos.

O principal gargalo que a empresa tenta resolver é o excesso de alertas falsos que sobrecarrega as equipes de segurança. Umesh Padval, sócio-gestor da Seligman Ventures, comparou o trabalho dos analistas a ‘procurar uma agulha num palheiro’, diante de centenas de notificações diárias sem priorização clara. A Exaforce afirma que sua plataforma é capaz de reduzir tarefas manuais e demoradas em até 90%.

Entre as novidades recentes da empresa está o recurso chamado ‘vibe hunting’, que permite às equipes de segurança consultar a plataforma em linguagem natural para investigar ataques com base em hipóteses simples. A funcionalidade representa uma tentativa de democratizar o acesso à inteligência de ameaças, reduzindo a dependência de especialistas técnicos para formular consultas complexas.

A Exaforce levou seu produto ao mercado no quarto trimestre do ano passado, após dois anos de testes com parceiros de desenvolvimento. Desde então, a empresa acumulou 20 clientes, entre eles a plataforma de desenvolvimento Replit e a empresa de diagnósticos oncológicos Guardant Health. Singla projeta chegar a entre 40 e 50 clientes até o final deste ano, impulsionado pelo aumento de ataques cibernéticos de alto perfil.

O mercado em que a Exaforce compete é disputado tanto por startups quanto por gigantes do setor. A empresa enfrenta concorrência direta de empresas como 7ai, Dropzone AI e Prophet Security, além das consolidadas Palo Alto Networks e CrowdStrike. A capacidade de automatizar a triagem de ameaças em tempo real, reduzindo a dependência de analistas humanos sobrecarregados, é o diferencial que a startup aposta para se destacar num segmento cada vez mais estratégico para governos, empresas e infraestruturas críticas ao redor do mundo.


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