O yuan chinês — também chamado de renminbi, nome oficial da moeda da China — atingiu seu nível mais alto frente ao dólar desde 2023, em movimento que coincide com a aproximação da cúpula entre Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, agendada para os dias 14 e 15 de maio em Genebra, na Suíça.
O Banco Central da China fixou a taxa de câmbio oficial no patamar mais valorizado dos últimos três anos. O gesto envia um sinal inequívoco aos mercados globais, conforme apontou a RFI em sua cobertura do encontro.
Por anos, Washington acusou Pequim de manter artificialmente o yuan desvalorizado para turbinar suas exportações. Desta vez, a China parece não apenas aceitar como também encorajar uma apreciação progressiva da moeda.
O contexto é favorável a Pequim: o dólar segue em trajetória de enfraquecimento, enquanto a China acumula superávits comerciais expressivos. O movimento vai além do simbolismo cambial.
Pequim vem construindo, com determinação crescente, a internacionalização do renminbi como projeto estratégico de longo prazo. Cada vez mais transações envolvendo energia e matérias-primas são liquidadas em yuan, especialmente com países do Golfo Pérsico, com a Rússia e com parceiros de diversas regiões.
A China também avança na consolidação de seu próprio sistema de pagamentos internacionais, posicionado como alternativa ao sistema dominado pelo dólar. Trata-se de uma disputa estrutural pela arquitetura financeira global, na qual Pequim aposta na força crescente de sua moeda como instrumento de soberania econômica.
A estratégia, contudo, não é isenta de custos. Um yuan mais forte pode penalizar os exportadores chineses, já pressionados pelo desaquecimento da economia mundial e pelas tensões comerciais com os EUA. O equilíbrio entre internacionalização da moeda e competitividade das exportações é uma das apostas mais delicadas do planejamento econômico de Pequim.
Em paralelo à cúpula diplomática, Washington manteve sua política de pressão econômica sobre a China. O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou sanções contra três indivíduos e nove empresas acusadas de facilitar o transporte de petróleo bruto iraniano para o território chinês. Entre as entidades alvo estão duas firmas sediadas em Hong Kong — Blue Ocean e Sanmu — apontadas pela administração americana como sociedades de fachada envolvidas no transporte de carregamentos de hidrocarbonetos ligados às Forças Armadas da República Islâmica do Irã, cada um avaliado em dezenas de milhões de dólares.
Washington deixou explícita a disposição de ampliar o cerco financeiro. O governo americano ameaçou impor sanções secundárias a instituições financeiras que apoiem o comércio de petróleo iraniano, com atenção especial aos bancos chineses associados a refinarias da província de Shandong.
O cenário que se desenha para a cúpula de Genebra é de alta complexidade. De um lado, a valorização do yuan como gesto de abertura e sinalização de estabilidade; de outro, novas sanções americanas que revelam a permanência das tensões estruturais entre as duas maiores economias do planeta. A reunião entre Trump e Xi ocorre sob o peso de uma disputa que vai muito além das tarifas — e que envolve o próprio futuro da ordem financeira global.
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