Os ministros das Relações Exteriores dos países do BRICS chegam a Nova Délhi para uma reunião de dois dias, nos dias 14 e 15 de maio, sob a presidência rotativa da Índia em 2026. O encontro reúne chanceleres de nações que respondem por mais da metade da população mundial e coloca na mesa os conflitos mais explosivos do momento: Gaza, Líbano, Irã e Ucrânia.
O ministro das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da África do Sul, Ronald Lamola, já desembarcou na capital indiana e representa um dos países mais ativos na defesa de uma ordem global mais justa. A reunião é convocada sob o tema ‘Construindo para Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade’, numa sinalização clara de que o bloco quer se posicionar como alternativa real às estruturas dominadas pelo Ocidente.
O embaixador e sherpa do BRICS da África do Sul, Anil Sooklal, classificou o encontro como ‘um dos mais importantes engajamentos ministeriais fora da cúpula do BRICS’. Para Sooklal, a reunião oferece aos chanceleres a oportunidade de refletir coletivamente sobre as crises globais e buscar soluções concretas, conforme reportagem do portal RT.
A pauta é densa e urgente. Sooklal destacou que os ministros discutirão a guerra em Gaza, a situação envolvendo EUA e Israel no Líbano e no Irã, e os impactos desses conflitos sobre os preços e o fornecimento global de combustíveis. Com o chanceler da República Islâmica do Irã presente na mesa, assim como o ministro dos Emirados Árabes Unidos — ambos membros do bloco —, o encontro ganha uma dimensão geopolítica raramente vista em fóruns multilaterais.
‘Isso nos afeta a todos, a comunidade global, incluindo os países do BRICS’, afirmou Sooklal, ao ressaltar que o bloco acredita firmemente na paz e na segurança globais e no funcionamento das instituições multilaterais estabelecidas. Ele também indicou que os ministros devem receber um panorama atualizado da Rússia sobre o conflito na Ucrânia, além de discutir a crise no Sudão.
Lamola, ao chegar a Nova Délhi, declarou que a presença sul-africana representa ‘um esforço concertado para moldar uma arquitetura global que seja tão sustentável quanto equitativa’. O chanceler acrescentou que, ‘por meio de engajamento principiado e determinação colaborativa, buscamos assegurar um futuro que honre as aspirações de todas as nações’.
A participação da África do Sul está ancorada em três eixos centrais definidos pelo Departamento de Relações Internacionais e Cooperação do país: a promoção de uma ordem internacional equilibrada que respeite a soberania de todos os Estados, a modernização das instituições políticas e financeiras globais para que reflitam o atual cenário geopolítico, e a integração das prioridades do continente africano ao arcabouço do BRICS, sob a filosofia ‘Melhor África, Melhor Mundo’.
Sooklal foi enfático ao apontar que o momento exige reflexão coletiva sobre como fortalecer a resiliência dos países do bloco diante das pressões sobre a economia global e das medidas unilaterais impostas por potências ocidentais, especialmente no setor comercial. O diplomata ressaltou que o BRICS precisa, mais do que nunca, demonstrar que é capaz de oferecer respostas concretas às crises que afetam o mundo em desenvolvimento.
A reunião de chanceleres do BRICS em Nova Délhi acontece num momento em que o bloco, ampliado com a entrada de novos membros como os Emirados Árabes Unidos e a República Islâmica do Irã, consolida sua posição como o principal fórum de articulação política e econômica do mundo em desenvolvimento. O encontro encerra-se em 15 de maio, com a expectativa de uma declaração conjunta sobre os principais pontos da agenda global.
Com informações de RT.
Leia também: Chanceleres do BRICS se reúnem em Nova Delhi com Oriente Médio no centro da agenda
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.