Classe média muda o humor sobre Lula

Classe média muda o humor sobre Lula e Quaest mostra recuperação em setor decisivo para 2026

A nova pesquisa Genial/Quaest acendeu um sinal importante no tabuleiro de 2026: Lula começa a recuperar terreno entre setores urbanos e de renda intermediária.

O movimento ainda é gradual, mas tem peso político. A classe média foi um dos segmentos em que o governo enfrentou maior desgaste nos últimos meses, pressionado pelo custo de vida, pela percepção de perda de poder de compra e pela disputa permanente com o bolsonarismo.

Segundo o Brasil 247, o levantamento mostra melhora na avaliação do presidente entre eleitores com ensino médio completo e renda intermediária, dois grupos considerados estratégicos para qualquer candidatura presidencial competitiva. A recuperação aparece no mesmo momento em que a aprovação geral do governo sobe de 43% para 46%, enquanto a desaprovação cai de 52% para 49%.

A avaliação positiva do governo também avançou. Os que consideram a gestão Lula positiva passaram de 31% para 34%. Já a avaliação negativa caiu de 42% para 39%. Não é uma virada definitiva, mas é uma mudança de direção após um período de pressão sobre o Planalto.

O dado mais relevante está na recomposição de pontes com a classe média. Esse público costuma oscilar mais do que a base popular tradicional do lulismo e tem forte peso em centros urbanos, redes sociais, consumo, opinião pública e disputa simbólica sobre economia.

Nos últimos meses, esse eleitorado vinha demonstrando incômodo com alimentos caros, juros altos, endividamento e sensação de aperto no orçamento. A Quaest, porém, indica que parte desse pessimismo começa a perder força.

A percepção sobre os rumos do país melhorou. O percentual dos que dizem que o Brasil está na direção certa subiu de 34% para 38%. Já os que avaliam que o país está na direção errada caíram de 58% para 53%. Esse deslocamento ajuda a explicar por que Lula também melhorou nos cenários eleitorais.

A economia aparece como motor dessa reação. Segundo a Quaest, 40% dos brasileiros acreditam que a economia vai melhorar nos próximos 12 meses, enquanto 27% esperam piora. Para um governo que busca a reeleição, expectativa econômica favorável é tão importante quanto o retrato atual da renda.

O Planalto avalia que medidas recentes contribuíram para essa melhora, especialmente ações voltadas ao crédito, renegociação de dívidas e sinalizações econômicas. Assessores do governo também atribuem parte da recuperação à percepção de que Lula retomou protagonismo em agendas nacionais e internacionais.

Ainda assim, o problema do custo de vida continua limitando a recuperação. A mesma pesquisa mostra que 69% dos brasileiros dizem que os alimentos ficaram mais caros no último mês. Esse número impede qualquer leitura triunfalista por parte do governo.

A classe média sente esse impacto de forma direta. Não depende apenas de programas sociais, mas também não vive com folga. É um grupo pressionado por supermercado, escola, plano de saúde, aluguel, combustível, cartão de crédito e financiamento.

Por isso, a melhora na percepção não significa adesão plena ao governo. Significa que Lula começa a reduzir rejeição em um território onde vinha enfrentando dificuldades. E, em uma eleição apertada, reduzir rejeição pode ser tão importante quanto ampliar a base fiel.

A disputa contra Flávio Bolsonaro reforça esse ponto. Na pesquisa Quaest, Lula aparece numericamente à frente no segundo turno, com 42%, contra 41% do senador. O resultado é empate técnico, mas representa recuperação em relação à rodada anterior, quando Flávio aparecia numericamente à frente.

No primeiro turno, Lula também mantém vantagem. O presidente aparece com 39%, contra 33% de Flávio Bolsonaro. A diferença mostra que o petista segue competitivo, mas não pode depender apenas de sua base histórica para vencer com tranquilidade.

A classe média é decisiva justamente porque pode definir margens em grandes colégios eleitorais. Em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde o bolsonarismo tem força, qualquer melhora de Lula entre eleitores intermediários pode reduzir a vantagem da direita e reequilibrar a disputa.

Esse movimento também atinge a narrativa política. O bolsonarismo tenta apresentar Lula como um presidente rejeitado pela classe média urbana. A Quaest mostra que essa leitura começa a encontrar resistência, ainda que o governo continue longe de uma situação confortável.

O desafio do Planalto agora é transformar percepção em experiência concreta. A melhora nas pesquisas só será sustentada se o eleitor sentir algum alívio no orçamento, no emprego, no crédito e no preço dos alimentos.

Para Lula, a recuperação entre setores de renda intermediária pode ser o início de uma virada mais ampla. Para Flávio Bolsonaro, é um alerta: a eleição não será decidida apenas pela fidelidade da base bolsonarista, mas pela capacidade de conquistar eleitores que vivem entre a insatisfação econômica e o medo de instabilidade política.

A Quaest mostra que Lula voltou a respirar fora de sua zona mais segura. A base popular segue fundamental, mas a classe média começa a se mover. E, em 2026, esse deslocamento pode definir se a eleição será apenas uma repetição da polarização ou uma disputa em que a economia real voltará a pesar mais do que o barulho ideológico.

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