Um extrato natural obtido a partir do fungo Pseudozyma aphidis é capaz de aumentar a produção agrícola em até 60% e melhorar simultaneamente o sabor, o aroma e a firmeza de culturas como tomate e melão.
A descoberta foi publicada no periódico científico Plant Physiology e conduzida por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ela abre um caminho concreto para uma agricultura mais produtiva e menos dependente de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos.
O estudo foi liderado pela professora Maggie Levy em parceria com a pesquisadora Neta Rotem. A equipe testou o extrato em três famílias de culturas de grande relevância econômica: cereais, representados pelo milho; cucurbitáceas, representadas pelo melão; e solanáceas, representadas pelo tomate.
Os resultados, detalhados pelo portal de ciência Phys.org, mostram avanços em praticamente todas as fases do desenvolvimento das plantas. Sementes de tomate tratadas com o extrato apresentaram taxa de germinação 18% superior à do grupo de controle, enquanto sementes de milho e melão registraram incremento de aproximadamente 7%.
Além de germinar mais rápido, as plantas tratadas floresceram entre uma e duas semanas antes do esperado. O efeito mais expressivo foi observado na produção final: os pés de tomate geraram mais de 60% a mais de frutos maduros em peso em comparação ao grupo sem tratamento.
Os melões tratados chegaram a pesar cinco vezes mais do que os não tratados. A qualidade do produto também melhorou de forma mensurável, com tomates mais firmes e com pontuações mais altas em testes sensoriais de doçura e aroma.
A chave para esses resultados está nos mecanismos bioquímicos ativados pelo extrato. Os pesquisadores identificaram que o fungo estimula a produção de moléculas semelhantes à auxina, um hormônio vegetal natural que regula o crescimento, e de sideróforos, compostos que auxiliam as plantas a absorver ferro do solo com maior eficiência.
Um diferencial técnico importante do estudo é o uso do extrato secretado pelo fungo, e não do organismo vivo em si. Culturas de fungos vivos aplicadas em larga escala enfrentam obstáculos sérios: variações climáticas, dificuldade de colonização em diferentes tipos de solo e imprevisibilidade de desempenho entre regiões.
Ao trabalhar com o extrato estável, a equipe eliminou essas variáveis e obteve resultados consistentes e replicáveis em diferentes ambientes agrícolas. A abordagem representa uma alternativa estrutural ao modelo de insumos químicos, não apenas um ajuste marginal.
‘Nossas descobertas demonstram que o extrato de compostos secretados pelo Pseudozyma aphidis atua como um agente eficaz para aumentar tanto a quantidade quanto a qualidade da produção agrícola’, afirmou a professora Levy. ‘Ao utilizar um extrato natural em vez de culturas vivas, podemos oferecer aos agricultores uma ferramenta mais confiável e ecologicamente responsável.’
O aumento contínuo da população mundial tem historicamente empurrado a agricultura para o uso intensivo de insumos químicos, com consequências conhecidas: contaminação de solos e mananciais, emissão de gases de efeito estufa e degradação da biodiversidade. A abordagem baseada em micro-organismos surge como resposta estrutural a esse modelo.
A equipe da Universidade Hebraica de Jerusalém planeja continuar refinando o processo de extração para identificar com precisão quais compostos específicos são responsáveis pelos efeitos observados. A próxima etapa deve abrir caminho para a formulação de produtos agrícolas de base biológica com aplicação comercial em escala.
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