A comissão especial da Câmara dos Deputados que avalia o fim da escala 6×1 reuniu um conjunto expressivo de vozes técnicas e políticas para debater os efeitos econômicos da redução da jornada de trabalho. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou da audiência pública realizada no plenário 2, a partir das 16h30, atendendo a convite formulado por um grupo bipartidário de parlamentares.
O convite ao titular da Fazenda foi assinado pelos deputados Túlio Gadêlha (PSD-PE), Carlos Zarattini (PT-SP), Fernando Mineiro (PT-RN) e Rubens Pereira Júnior (PT-MA), além das deputadas Julia Zanatta (PL-SC), Erika Hilton (Psol-SP) e Fernanda Melchionna (Psol-RS). A composição plural do grupo — que vai do PT ao PL, passando pelo Psol — revela o peso político que o tema ganhou no Congresso.
Segundo o requerimento que fundamentou o convite, a audiência teve como objetivo central conhecer diagnósticos, estudos e pesquisas sobre os impactos econômicos da revisão da jornada de trabalho. Além de Haddad, participaram da sessão representantes do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A comissão especial começou a funcionar em 29 de abril e tem como missão avaliar duas propostas de emenda à Constituição (PECs) que preveem a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais. O presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), sinalizou que pretende votar o relatório até o fim de maio.
É importante distinguir as duas propostas em debate: as PECs estabelecem o limite de 36 horas semanais como meta constitucional, enquanto o governo federal defende uma etapa intermediária de 40 horas semanais como passo imediato, sem redução de salário. Trata-se de dois horizontes distintos — o da proposta parlamentar e o da posição do Executivo. O debate técnico convocado pela comissão serve exatamente para mapear os impactos de cada cenário.
Na semana anterior à audiência com Haddad, a comissão ouviu o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que foi categórico ao defender a implementação imediata do fim da escala 6×1. “O governo propõe a redução imediata para 40 horas semanais sem redução do salário e o fim da escala 6×1. Evidente que esse é um processo de debate, de escuta, em que o Parlamento vai tomar a decisão final”, afirmou Marinho.
A discussão sobre a escala 6×1 ganhou força a partir de uma mobilização popular que tomou as redes sociais e as ruas, pressionando o Congresso a colocar o tema na pauta constitucional. A jornada de seis dias consecutivos de trabalho seguidos de apenas um de folga é considerada por especialistas em saúde do trabalho como fator de adoecimento físico e mental, especialmente nos setores de comércio, serviços e alimentação.
A presença do ministro da Fazenda no debate é estratégica: qualquer alteração constitucional na jornada terá impacto direto sobre a folha de pagamentos das empresas, a arrecadação previdenciária e o nível de emprego formal. O governo Lula busca equilibrar a demanda legítima dos trabalhadores com a necessidade de apresentar ao setor produtivo uma transição sem ruptura econômica abrupta. O prazo autoimposto pela comissão indica que o debate, embora técnico, caminha em ritmo político acelerado.
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