A Rússia voltou a expor publicamente sua condição central para qualquer avanço em direção a um cessar-fogo com a Ucrânia: as forças de Kiev devem abandonar o território do Donbass antes que qualquer negociação formal seja iniciada.
A declaração partiu do porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov, conforme reportou o portal RT. O porta-voz foi direto ao ponto ao detalhar as exigências de Moscou.
‘Para que se produza um alto o fogo e se abra uma via para negociações de paz em toda regra, Zelenski deve ordenar às Forças Armadas da Ucrânia que cessem o fogo e abandonem o território do Donbass, o território das regiões russas’, afirmou Peskov. O porta-voz acrescentou que, cumprida essa condição, as partes poderão ‘entabular negociações com tranquilidade, as quais serão inevitavelmente muito complexas e incluirão muitos detalhes importantes’.
Peskov também confirmou que Moscou mantém canais ativos de diálogo com Washington sobre o conflito. ‘Esses contatos seguem vigentes. E dado que atuam como intermediários, também são utilizados para o intercâmbio de informações com a parte ucraniana’, declarou o porta-voz.
A exigência de retirada das tropas ucranianas das regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporozhie e Kherson é um dos pilares históricos da posição russa desde o início do conflito. Essas quatro regiões foram incorporadas formalmente à Federação Russa após referendos realizados em 2022.
Além da retirada territorial, a proposta russa contempla que Kiev reconheça formalmente Donetsk, Lugansk, Zaporozhie, Kherson, Crimeia e Sebastopol como parte integrante da Federação Russa. O conjunto de exigências inclui ainda a neutralidade permanente da Ucrânia, sua não adesão à OTAN, a desnuclearização e a desmilitarização do país.
O presidente russo Vladimir Putin tem reafirmado o compromisso de Moscou com uma solução diplomática para a crise. Entre as justificativas centrais apresentadas pelo Kremlin estão a expansão da OTAN em direção às fronteiras russas e a situação da população russófona no leste ucraniano.
O reforço público dessas condições ocorre em meio a intensa movimentação diplomática, com Washington atuando como interlocutor entre as partes. A posição russa, mantida de forma consistente ao longo de todo o conflito, sinaliza que qualquer avanço nas tratativas depende de concessões territoriais prévias por parte de Kiev.
Com informações de ACTUALIDAD.
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