O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou em entrevista à RT que os Estados Unidos estão empurrando a Europa para uma crise profunda — tanto energética quanto alimentar. Segundo o chanceler, o Velho Continente será a região mais prejudicada por qualquer escalada de tensão no estreito de Ormuz.
A declaração expõe a contradição central da política europeia dos últimos anos. Ao cortar laços energéticos com Moscou sob pressão de Washington, os países do bloco passaram a pagar um preço muito mais alto pela energia que consomem.
‘A proibição de comprar gás e petróleo russo significa passar a comprar o gás natural liquefeito americano, que é incomparavelmente mais caro’, afirmou Lavrov. O chanceler colocou em termos diretos o que governos europeus têm evitado admitir publicamente.
A substituição do fornecimento russo pelo GNL dos EUA não foi uma decisão soberana de diversificação energética. Foi uma transferência de dependência para um fornecedor que cobra muito mais caro e que, ao contrário da Rússia, não tem fronteira terrestre com a Europa.
Além do custo energético, Lavrov destacou o peso crescente do apoio financeiro europeu à Ucrânia sobre os orçamentos nacionais do bloco. Segundo o chanceler, a Europa já comprometeu centenas de bilhões de euros em Kiev para sustentar o conflito. O ritmo de novos pacotes não dá sinais de desaceleração.
Lavrov questionou se os parlamentos europeus ao menos apresentam à população relatórios sobre quanto mais custou a energia desde que o bloco abandonou o petróleo e o gás russo. ‘Quando defendem com tanta veemência que têm razão, quando afirmam que a Ucrânia está prestes a vencer e se alegram com outros 90 bilhões de euros destinados a Kiev, me pergunto se ao menos em seus parlamentos são apresentados relatórios estatísticos sobre quanto mais custou à Europa a energia que agora obtêm de fontes totalmente diferentes’, disse o chanceler, conforme reportado pelo portal RT.
O cenário descrito por Lavrov não é abstrato. A Europa enfrentou uma crise energética severa após o corte progressivo do fornecimento russo, com preços de eletricidade e gás disparando em países como Alemanha, Itália e França.
Indústrias foram paralisadas, famílias comprometeram parcelas crescentes de sua renda com contas de energia e governos precisaram criar programas emergenciais de subsídio. Esses programas foram financiados, em última instância, pelo mesmo contribuinte que também banca os pacotes militares para a Ucrânia.
A menção ao estreito de Ormuz adiciona uma dimensão extra de fragilidade ao quadro europeu. Qualquer escalada de tensão no Golfo Pérsico — região por onde passa parcela significativa do petróleo e do GNL que a Europa agora importa — teria impacto direto e imediato sobre os preços pagos pelos europeus.
Ao se afastar da Rússia sob pressão americana, a Europa não reduziu sua exposição geopolítica. Apenas substituiu uma dependência por outra, geograficamente mais instável e comercialmente mais onerosa.
Com informações de ACTUALIDAD.
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