A NASA apresentou os planos preliminares para a missão Artemis III, que será realizada em órbita terrestre baixa e terá como foco principal testar as capacidades de encontro e acoplamento entre a espaçonave Orion e os módulos de pouso lunares desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin.
A agência destacou que esta etapa é crucial para preparar o pouso de astronautas na Lua, previsto para ocorrer na missão Artemis IV. A decisão de reformular a Artemis III foi anunciada em fevereiro, quando a NASA optou por incluir um voo de teste em órbita terrestre antes das missões de pouso na região do Polo Sul lunar.
Desde então, engenheiros da agência têm avaliado perfis de missão e aspectos operacionais para assegurar que o voo minimize riscos para as fases subsequentes do programa. O administrador adjunto interino de Lua a Marte da Diretoria de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da NASA, Jeremy Parsons, afirmou que a Artemis III representa um dos desafios mais complexos já enfrentados pela agência.
Parsons ressaltou que será a primeira vez que a NASA coordenará uma campanha de lançamento envolvendo múltiplas espaçonaves com novas capacidades integradas às operações do programa Artemis. O foguete Space Launch System (SLS) lançará a espaçonave Orion a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, transportando quatro tripulantes.
Uma inovação técnica relevante é o uso de um espaçador, uma estrutura que simula a massa e as dimensões do estágio superior criogênico interino, mas sem capacidade propulsiva. Esse componente manterá as mesmas interfaces entre o adaptador do estágio Orion e o adaptador do veículo de lançamento.
As atividades de projeto e fabricação do espaçador estão em andamento no Centro de Voo Espacial Marshall da NASA, em Huntsville, no Alabama. O material para a seção cilíndrica e os anéis superior e inferior já está sendo usinado no local, preparando-se para as próximas etapas de soldagem.
Após o SLS colocar a Orion em órbita, o módulo de serviço europeu da espaçonave fornecerá a propulsão necessária para ajustar a trajetória em órbita baixa terrestre. Essa configuração amplia as janelas de lançamento disponíveis para cada elemento da missão, incluindo o SLS com a Orion e sua tripulação, o módulo de pouso Starship da SpaceX em configuração de teste e o módulo Blue Moon Mark 2 da Blue Origin, também em versão de teste.
Segundo o portal da NASA, a agência está definindo o conceito de operações com base nas capacidades informadas pelas duas empresas. Os astronautas passarão mais tempo a bordo da Orion do que na missão Artemis II, permitindo uma avaliação mais aprofundada dos sistemas de suporte à vida.
A Artemis III também marcará a primeira demonstração do sistema de acoplamento da espaçonave. Há a possibilidade de que a tripulação entre em pelo menos um dos módulos de pouso em teste, embora essa decisão ainda não tenha sido finalizada.
A missão incluirá ainda o teste de um escudo térmico aprimorado durante o retorno da Orion à Terra, o que possibilitará perfis de reentrada mais flexíveis e robustos para voos futuros. A NASA informou que está buscando contribuições da indústria para aprimorar as comunicações com o solo durante a missão, uma vez que a Rede de Espaço Profundo não será utilizada neste voo.
A agência também está avaliando a possibilidade de testar as interfaces do traje espacial AxEMU, desenvolvido pela Axiom, com os módulos de pouso antes das missões de superfície lunar. Há ainda espaço para o lançamento de CubeSats em órbita terrestre, com interesse tanto de instituições domésticas quanto internacionais.
Nas próximas semanas, a NASA continuará refinando os detalhes do voo, incluindo o cronograma para selecionar os astronautas que treinarão para a missão e a duração total do voo.
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