BlackRock aposta na reeleição de Lula e ignora Flávio Bolsonaro em conferência com investidores

Lula, Brizola, Darcy Ribeiro e Mário Soares em foto histórica. (Foto: Wikimedia Commons)

A maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, projetou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como cenário mais provável para a disputa presidencial deste ano. A avaliação foi feita pelo responsável da gestora para a América Latina, Aitor Jauregui, durante conferência fechada para investidores em Nova York, na sede da empresa.

O encontro marcou a abertura da Brazilian Week, agenda que reúne bancos, empresas e organizações brasileiras nos Estados Unidos. Segundo reportagem da jornalista Thais Bilenky publicada pelo UOL e repercutida pelo Diário do Centro do Mundo, Jauregui demonstrou otimismo com o cenário da América Latina e destacou em particular os dados econômicos do Brasil.

Na análise apresentada aos investidores, a economia segue como fator decisivo na escolha do voto, o que tornaria difícil retirar de Lula a condição de favorito. O argumento central é que o desempenho macroeconômico brasileiro sustenta a base de apoio do presidente e neutraliza eventuais avanços da oposição.

Chamou atenção o silêncio em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado até agora como principal adversário do petista. O nome do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro não foi mencionado nem por Jauregui nem pelos demais participantes da conferência, justamente no momento em que o senador tenta se consolidar como herdeiro político do campo bolsonarista.

Na mesma mesa, o diretor da consultoria Eurasia Group para as Américas, Chris Garman, também traçou cenário favorável a Lula. Garman afirmou que a relação do presidente brasileiro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminha bem e que a recente visita de Lula à Casa Branca surpreendeu positivamente os investidores.

O analista da Eurasia avaliou ainda que a atual conjuntura internacional favorece o petista, em meio a um reposicionamento geopolítico do Brasil dentro do BRICS e na relação com o Sul Global. A plateia era formada por banqueiros, políticos, advogados e analistas brasileiros, em encontro voltado à leitura de riscos e oportunidades no país.

O diagnóstico apresentado em Nova York ocorre poucos dias depois da divulgação da pesquisa Real Time Big Data pela CNN Brasil. O levantamento ouviu 2.000 pessoas entre os dias 2 e 4 de maio, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03627/2026.

No cenário espontâneo de primeiro turno, Lula aparece com 31% das intenções de voto, contra 24% de Flávio Bolsonaro. Jair Bolsonaro, atualmente preso, registra 3%, o que sugere transferência apenas parcial do capital político bolsonarista para o filho mais velho.

Nos cenários estimulados, o presidente também lidera com folga. No primeiro recorte, Lula marca 40% contra 34% de Flávio, e no segundo aparece com 38% ante 34% do senador, sem que nenhum outro concorrente ultrapasse a marca de 5%.

A disputa, contudo, fica mais apertada em uma eventual segunda etapa. No confronto direto testado pelo instituto, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 44% contra 43% de Lula, diferença dentro da margem de erro que configura empate técnico.

O quadro combina dois movimentos que dialogam entre si. Os investidores estrangeiros enxergam vantagem estrutural para Lula, ancorados na avaliação positiva da economia, enquanto as pesquisas mostram disputa polarizada e ainda aberta em caso de segundo turno.

A leitura da BlackRock também sinaliza algo relevante para o tabuleiro político interno. O mercado financeiro internacional, historicamente refratário ao Partido dos Trabalhadores, parece ter se acomodado à perspectiva de continuidade do governo Lula, e o recado entregue em Nova York indica que o capital global vê estabilidade, e não ruptura, como cenário mais provável para o Brasil em 2026.


Leia também: AtlasIntel revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no estado de Minas Gerais


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Redação:
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