Concurso de microscopia revela 17 imagens que transformam o invisível em obra de arte científica

Imagem microscópica de diversas formas de vida minúsculas, como diatomáceas, que revelam a complexidade do mundo invisível. (Foto: smithsonianmag.com)

Neurônios que parecem estrelas, fibras vegetais que imitam dunas coloridas e cérebros de peixe-zebra capturados em detalhes impossíveis a olho nu — essas são algumas das imagens que a sexta edição do concurso Evident Image of the Year acaba de consagrar como as mais impressionantes da microscopia científica mundial.

A competição, organizada pela empresa de microscópios Evident, recebeu inscrições de 34 países. Os vencedores foram selecionados com base em três critérios: apelo visual, impacto científico e domínio técnico do equipamento.

A vencedora global da edição foi Katie Holden, pesquisadora do Reino Unido, com uma imagem intitulada “Neuronal Cosmos” — ou “Cosmos Neuronal”, em tradução livre. A fotografia captura neurosferas, estruturas formadas por células neurais agrupadas e cultivadas em laboratório a partir de células-tronco pluripotentes.

As células-tronco pluripotentes têm a capacidade de se transformar em qualquer tipo celular do organismo. As neurosferas são ferramentas essenciais para o estudo do cérebro humano e permitem investigar como fatores genéticos e ambientais influenciam o desenvolvimento dos neurônios.

O resultado visual é de uma simetria quase cósmica: os prolongamentos celulares se irradiam a partir de um núcleo central, formando um padrão que lembra uma estrela ou uma galáxia vista de longe. “Visualmente, o padrão em forma de estrela reflete paralelos fascinantes entre a astronomia e a biologia em escalas enormemente diferentes”, disse Holden em declaração divulgada pela organização do concurso.

A pesquisadora acrescentou, em publicação no LinkedIn, que a imagem foi fruto de um esforço coletivo. Embora costume defender que a microscopia vai muito além de “fotos bonitas”, ela disse ser muito gratificante abraçar essa dimensão estética quando ela aparece.

Na categoria de ciência dos materiais, o prêmio foi para Muhammad Tahir Khan, pesquisador da Irlanda, com uma imagem de microscopia eletrônica de varredura de uma fibra de lignina que se assemelha a dunas de areia coloridas. A lignina é um composto orgânico presente nas paredes celulares de plantas, especialmente em madeiras e gramíneas.

O composto é também responsável pelo cheiro característico de livros antigos quando começa a se decompor, liberando compostos aromáticos que os bibliófilos conhecem bem. A imagem combina precisão analítica e beleza plástica de forma exemplar.

Além dos dois vencedores principais, o concurso selecionou três vencedores regionais e 12 menções honrosas, compondo uma galeria de 17 imagens. Segundo a organização, a iniciativa busca encorajar “pessoas ao redor do mundo a olhar para imagens científicas de uma nova forma, apreciar sua beleza e compartilhá-las”.

Conforme detalhado pelo Smithsonian Magazine, as submissões chegaram de todos os continentes. Wes Pringle, CEO da Evident, destacou o que considera o coração do concurso: “Esta competição celebra o que é possível quando arte e ciência se unem para iluminar o que não se vê.”

O universo retratado nas imagens premiadas vai de grãos de pólen a insetos com menos de um milímetro de comprimento, passando por diatomáceas — microalgas com estruturas simétricas de sílica. O cérebro de um peixe-zebra, animal amplamente utilizado como modelo em pesquisas neurológicas por sua transparência e similaridade genética com os humanos, também integra a galeria.

Cada fotografia é, ao mesmo tempo, dado científico e convite ao espanto. Ao longo de seis edições, o concurso tem mostrado que o laboratório pode ser também um ateliê — e que o microscópio, nas mãos certas, é tanto instrumento de descoberta quanto de criação.


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